Uma eventual disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na segunda fase da eleição presidencial pode contar com o reforço de palanques estaduais em pelo menos 11 estados onde há maior probabilidade de também ocorrer uma nova rodada na eleição para governador. Essa análise foi feita pelo cientista político Bruno Soller, do instituto Real Time Big Data, que identificou Acre, Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e Tocantins como os estados com maior potencial de levar a disputa pelo governo ao segundo turno.
A continuidade das disputas estaduais para o cargo de governador pode influenciar significativamente o cenário da eleição presidencial, uma vez que candidatos que avançarem para o segundo turno nas disputas estaduais tendem a reforçar seus apoiadores nos palanques de Lula e Flávio Bolsonaro. Além disso, a redução do número de candidatos na fase final das eleições tende a tornar mais evidentes os alinhamentos políticos em nível nacional, uma vez que o voto, que atualmente apresenta um grau de dispersão, tende a se consolidar em uma polarização mais clara na fase de segundo turno.
No primeiro turno, Lula e Flávio concentram grande parte da intenção de votos. Uma pesquisa divulgada na última quinta-feira pelo Real Time Big Data aponta Lula com 43% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 39%. Considerando os votos válidos, o petista soma 46%, contra 41% do candidato do PL. Esses números evidenciam uma disputa bastante acirrada, que pode se consolidar em uma polarização definitiva na segunda rodada.
Dentre os estados citados, Minas Gerais exemplifica bem como a passagem para o segundo turno pode alterar a dinâmica eleitoral tanto na disputa presidencial quanto na estadual. Atualmente, Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera as pesquisas para o governo mineiro, com Patrus Ananias (PT) na segunda colocação. Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra Cleitinho com 49% dos votos válidos, Patrus com 20% e Alexandre Kalil (PDT) com 13%. Contudo, Soller avalia que Cleitinho possui um eleitorado mais híbrido, capaz de receber votos de apoiadores de Lula para presidente, o que pode influenciar na disputa estadual. Caso Lula vença em Minas na corrida presidencial, há uma possibilidade de migração de votos para Patrus na eventual segunda rodada, o que poderia dificultar a reeleição de Cleitinho.
Minas Gerais é um dos estados mais disputados na eleição presidencial, sendo considerado praticamente um “espelho” do cenário nacional, dada sua relevância e o peso do eleitorado. No Rio de Janeiro, os alinhamentos nacionais também aparecem de forma mais evidente. Segundo pesquisa do Datafolha, divulgada na quinta-feira, Eduardo Paes (PSD), apoiado por Lula, lidera as intenções de voto com 47% dos votos válidos, enquanto Douglas Ruas (PL), aliado de Flávio Bolsonaro, soma 35%. Caso haja um segundo turno na disputa pelo governo estadual, essa disputa pode se transformar em um dos principais palanques estaduais na eleição presidencial, reforçando a polarização entre os candidatos.
O estado do Rio de Janeiro é especialmente importante para Flávio Bolsonaro, pois pesquisas indicam um desempenho mais forte do candidato do PL no cenário estadual do que na disputa nacional. Segundo Soller, uma eventual segunda rodada pode intensificar a polarização no estado, com Ruas tentando associar sua candidatura à de Flávio, enquanto Lula poderia fortalecer a campanha de Eduardo Paes, ampliando o confronto entre os dois polos políticos.
Ao todo, enquanto 11 estados apresentam maior possibilidade de levar suas disputas estaduais ao segundo turno, outros estados do país podem definir seus governadores já neste domingo, dia 4 de outubro. Para vencer no primeiro turno, é necessário obter mais da metade dos votos válidos, excluindo votos brancos e nulos. Pesquisas recentes indicam que estados como Amapá, Mato Grosso do Sul, Piauí, Roraima, Santa Catarina e São Paulo apresentam candidatos com intenções de voto superiores a 50%, podendo garantir a vitória na primeira rodada. Ainda assim, há estados, como Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe, onde a disputa permanece mais equilibrada, com cenários menos consolidados e potencialmente mais disputados até o dia da votação.









