O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, manifestou sua oposição às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, afirmando que essas medidas protecionistas não possuem justificativa técnica e podem prejudicar a economia nacional, colocando em risco empregos e setores estratégicos. Em resposta a essa situação, Motta ressaltou que o Brasil dispõe da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso, como um recurso para proteger os interesses do país. Ele também assegurou que a Câmara acompanhará de perto os desdobramentos dessa questão para salvaguardar os exportadores e o setor produtivo brasileiro.
Na quinta-feira (16), as Comissões de Relações Exteriores do Congresso Nacional expressaram preocupação em relação à imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, uma medida oficializada pelo governo dos Estados Unidos na noite anterior. Durante a discussão, parlamentares criticaram a postura do governo brasileiro, enquanto o Palácio do Planalto rebatia as acusações de má-fé e considerava a aplicação da Lei da Reciprocidade como uma opção.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, qualificou a postura do governo brasileiro como “irresponsável” nas negociações com os Estados Unidos, afirmando que as novas tarifas representam “uma grave derrota diplomática e comercial para o Brasil”. Ele destacou que o insucesso nas negociações foi atribuído à postura de má-fé do governo brasileiro, que teria priorizado interesses políticos em detrimento de uma negociação técnica e responsável.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), também se manifestou sobre a questão, ressaltando que a comissão colaborou desde o início das tratativas para estabelecer canais de diálogo com o Congresso dos Estados Unidos. Trad defendeu que o Brasil possui instrumentos legais, como a Lei da Reciprocidade Econômica, para proteger seus interesses, mas enfatizou que qualquer ação deve ser tomada com responsabilidade e fundamentada em critérios técnicos.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) sugeriu que o governo brasileiro está avaliando o momento adequado para implementar a Lei da Reciprocidade como resposta às tarifas. Ao longo da quinta-feira, o governo brasileiro se esforçou para contestar as alegações feitas pelos Estados Unidos, afirmando que não abandonou as mesas de negociação.
Na quarta-feira, após a confirmação das tarifas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alegando que as políticas econômicas do Brasil são “ruins para os americanos e também para os brasileiros”. O Planalto respondeu que sempre esteve presente nas negociações e que não houve falta de diálogo.
O presidente Lula também se manifestou na noite de quinta-feira, afirmando que não há justificativa para a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em suas declarações nas redes sociais, Lula reiterou a disposição do governo para negociar e defendeu a soberania do Brasil, afirmando que não abrirá mão de proteger o sistema de pagamentos Pix e os produtores nacionais.
Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, conforme determinação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos). Essa nova tarifa será acrescida às alíquotas já existentes, resultando em um aumento significativo no imposto de importação. Embora alguns produtos, como café e carne, tenham sido isentos, setores importantes da economia brasileira serão afetados. A autoridade americana indicou que as tarifas poderão ser reavaliadas caso o Brasil tome medidas retaliatórias.
No início de junho, o Representante Comercial dos Estados Unidos havia proposto a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, utilizando a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite investigações e retaliações contra práticas comerciais consideradas injustas.








