O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2023, realizado na noite deste domingo (23) pela Rede Bandeirantes, ficou marcado por críticas dirigidas aos candidatos ausentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas de intenção de voto. Desde o início do encontro, os concorrentes Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) apontaram a ausência dos principais postulantes como uma demonstração de desrespeito ao eleitorado e uma fuga de debates públicos.
Renan Santos, representante do Movimento Brasil Livre (MBL), foi o mais enfático ao criticar Lula e Flávio Bolsonaro, acusando-os de não demonstrarem coragem para discutir suas propostas e de evitarem o confronto direto. “Esses dois criminosos desrespeitaram os brasileiros. Brigam na internet, colocam seus cachorros para brigar, mas não têm coragem de vir falar sobre os crimes que cometeram”, afirmou. Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e atual senador, acrescentou que a ausência dos candidatos mais rejeitados revela a razão da fuga deles do debate, reforçando a ideia de que preferem evitar confrontos que possam prejudicar suas campanhas.
Embora o candidato do Novo, Romeu Zema, também não tenha comparecido ao debate, ele não foi mencionado pelos demais concorrentes. Antes do início do evento, Caiado chegou a sugerir que a ausência de Zema poderia indicar uma desistência do atual governador de Minas Gerais de participar da corrida presidencial, o que não foi confirmado posteriormente.
Outro tema central abordado pelos candidatos foi a situação da educação no país. Augusto Cury criticou Lula por não estar presente e afirmou que o presidente deveria explicar as falhas na área, especialmente no que diz respeito ao baixo desempenho dos jovens brasileiros em matemática. Segundo Cury, “95% dos nossos jovens não aprendem matemática ao final do ensino médio, e quem não aprende raciocínio lógico não consegue desenvolver habilidades essenciais para a cidadania”.
A segurança pública foi o tema mais discutido durante o debate, com os candidatos apresentando propostas para combater o crime organizado, ampliar investimentos em presídios e fortalecer a relação entre o governo federal e os estados na área policial. Caiado afirmou que “se não houver segurança pública, não há governabilidade”, destacando o que chamou de “clima de guerra” no território nacional, dominado por organizações criminosas. Ele também criticou a postura do governo federal, alegando que o país foi “ajoelhado para o crime” e prometeu autorizar os governadores a legislar sobre o tema, considerando as particularidades de cada estado.
No debate, também houve críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Caiado classificou a proposta como “conversa fiada” do governo Lula, que, segundo ele, não possui intenção real de combater o criminalidade. Por sua vez, Renan Santos acusou o PT de tentar concentrar o controle das polícias nas mãos do governo federal, alegando que essa estratégia visa fortalecer o poder do partido e do presidente, em detrimento das políticas estaduais de segurança.
Momentos de divergência também marcaram o debate, especialmente na discussão sobre a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, que prevê seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga. Renan Santos afirmou ser contra a medida, alegando que o então presidente Lula prometeu reduzir jornadas e aumentar ganhos, além de criticar a proposta de taxar produtos como roupas de marca. O candidato do Missão declarou estar disposto a perder votos para manter sua posição contrária à mudança na escala de trabalho.
Augusto Cury, por sua vez, defendeu a manutenção da escala 5×2, argumentando que ela atende às necessidades da maior parte da força de trabalho no Brasil. Segundo ele, a escala 6×1 é adequada apenas para setores específicos da economia, e sua implementação generalizada poderia prejudicar os trabalhadores.
O debate também abordou denúncias envolvendo o Banco Master e seu ex-dono, o banqueiro Daniel Vorcaro. Renan Santos afirmou que a eleição presidencial de 2026 estaria sendo manipulada por uma “jogada de cartas marcadas” entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o Banco Master supostamente patrocinando esse jogo. Ele sugeriu que, independentemente de quem vença, haveria um “perdão” ao banqueiro Vorcaro, o que gerou críticas ao sistema político e financeiro. Augusto Cury criticou o tom agressivo de Renan Santos, ressaltando a importância do debate democrático e da divergência saudável, para evitar que a discussão se torne dominada por discursos excessivamente hostis.
O primeiro encontro dos presidenciáveis, portanto, evidenciou uma campanha marcada por ataques indiretos, debates sobre segurança pública, críticas a propostas econômicas e denúncias de escândalos financeiros, refletindo o clima de polarização e as estratégias de cada candidato para conquistar o eleitorado.








