O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou nesta semana pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja revogado o sigilo das investigações envolvendo o Banco Master. As petições, enviadas na noite de quarta-feira (9), solicitam aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, responsáveis por processos relacionados ao caso, que tornem públicos os detalhes das apurações. A iniciativa ocorre em meio a uma crise interna no Supremo, agravada após a divulgação de informações de uma investigação da Polícia Federal (PF) que aponta possíveis ligações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, e o ministro Alexandre de Moraes.
O episódio teve início em 1º de setembro, quando Mendonça determinou a retirada parcial do sigilo de um inquérito que reúne informações da PF sobre contatos de Vorcaro com autoridades com foro no STF. Contudo, a divulgação subsequente de novos elementos da investigação, que ampliaram o escopo das informações acessíveis ao público, gerou questionamentos quanto à condução do processo e ao uso de dados sigilosos. Essa situação resultou em uma série de decisões em cadeia, incluindo a substituição de dirigentes da Polícia Federal.
No dia 8 de setembro, Mendonça afastou o diretor-geral e o diretor de Inteligência da PF, sob alegação de irregularidades na condução das investigações. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos dirigentes, decisão que foi submetida à apreciação do Plenário do STF. Essas ações evidenciam a complexidade do caso e o impacto político e jurídico que o tema tem gerado no âmbito do tribunal.
O PT argumenta que o andamento do caso se transformou em uma espécie de “publicidade em mosaico”: parte dos documentos e decisões se tornou acessível ao público, enquanto os autos principais permanecem protegidos por sigilo. Segundo o partido, essa fragmentação favorece a divulgação de informações de forma parcial, sem o devido contexto, o que pode prejudicar a compreensão integral da investigação.
Além das questões jurídicas, o PT também manifesta preocupação com os aspectos eleitorais do caso. Com menos de um mês para o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, o partido sustenta que os vazamentos e a divulgação seletiva de informações podem criar um ambiente de desigualdade entre os candidatos. Para o PT, quem tem acesso aos autos completos conhece o conjunto da investigação, enquanto a maior parte da população fica restrita aos fragmentos divulgados, o que pode influenciar o debate eleitoral.
O pedido do PT foi antecipado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que utilizou suas redes sociais na quarta-feira para reforçar a necessidade de transparência. Lula afirmou que “é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”.
No documento, o PT solicita a Mendonça a abertura dos processos relacionados ao Caso Master que ainda permanecem sob sigilo, alegando que as principais medidas que justificaram a reserva já foram cumpridas. Quanto a Dino, o partido pede a divulgação das investigações referentes à Operação Compliance Zero, além de informações sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Os advogados do partido também citaram o precedente da Operação Spoofing, na qual o STF determinou a retirada do sigilo de mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato, argumentando que a abertura integral dos autos permitiria confrontar trechos divulgados com o conteúdo completo das investigações. Os pedidos ainda aguardam análise por parte de Mendonça e Dino, que deverão decidir sobre a liberação do sigilo.






