Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (15) a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, com taxas adicionais de 25% em uma ampla gama de itens, conforme confirmado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida, que resulta de uma investigação comercial, terá início na próxima quarta-feira (22) e gerou uma série de reações entre os pré-candidatos à Presidência da República do Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, divulgou uma nota logo após o anúncio, descrevendo a ação do governo de Donald Trump como um “marco lastimável” nas relações bilaterais. Lula afirmou que o Brasil “não reconhece a legitimidade de investigações sem respaldo nas regras multilaterais de comércio” e que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país. O presidente também defendeu o sistema de pagamento Pix, recentemente criticado pela Casa Branca, afirmando que as alegações contra ele são “descabidas” e que o Pix é um “patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”. Lula ainda acusou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de ter criado um “enredo” que prejudica o Brasil, chamando-os de “falsos patriotas”.
Em contraposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) responsabilizou Lula pelas novas tarifas, afirmando que o Brasil está “num avião sem piloto” e comparando o presidente ao ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Em suas redes sociais, Flávio criticou a postura do governo brasileiro nas negociações, destacando que Lula se tornou um “perigo para a nossa nação”. O senador esteve na Casa Branca com Trump pouco após a reunião de Lula, onde os Estados Unidos designaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Flávio revelou que sua visita foi motivada pela tentativa de evitar as tarifas, mas criticou Lula por provocar Trump.
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), adotou uma postura crítica em relação a ambos os lados. Ele expressou preocupação com os impactos da polarização política, afirmando que setores inteiros da economia poderiam ser afetados negativamente. Caiado ressaltou que Lula não possui “capacidade de dialogar” e que Flávio está mais preocupado com a eleição do que com os interesses do país. Em publicações anteriores, ele já havia criticado Flávio por ter pedido o adiamento das tarifas, argumentando que isso demonstra uma falta de compromisso com a real defesa dos interesses brasileiros.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também se manifestou contra as novas tarifas, declarando que a decisão dos Estados Unidos prejudica os interesses do Brasil. Entretanto, ele não isentou o governo brasileiro de responsabilidade, afirmando que erros na condução das negociações contribuíram para a situação. Zema argumentou que a postura adotada pelo governo foi inadequada e que uma abordagem mais técnica poderia ter evitado a retaliação.
Renan Santos, presidente do partido Missão e pré-candidato à Presidência, também criticou tanto Lula quanto a família Bolsonaro, sugerindo que ambos priorizaram interesses eleitorais em detrimento do bem-estar do país. Em um vídeo nas redes sociais, Santos insinuou que Lula estaria “praticamente comemorando” as tarifas, enquanto acusou a família Bolsonaro de agir de forma submissa a Trump, destacando que a visita de Flávio aos Estados Unidos não resultou em benefícios para o Brasil.
As reações dos pré-candidatos evidenciam a complexidade da situação, refletindo a polarização política e as tensões nas relações Brasil-Estados Unidos, bem como as implicações econômicas que as novas tarifas podem trazer para o país.







