O deputado estadual Requião Filho, do PDT, confirmou sua pré-candidatura ao governo do Paraná nas eleições de 2026. Completando seu terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, o político busca transformar sua trajetória em uma candidatura forte, aproveitando um capital político construído ao longo de mais de dez anos de atividade parlamentar e a influência do sobrenome Requião, um dos mais emblemáticos da política paranaense.
Filho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, que ocupou o cargo de governador por três mandatos, Requião Filho pretende se posicionar como uma alternativa ao atual grupo no poder. A decisão de concorrer ao Palácio Iguaçu surgiu, conforme o pré-candidato, da constatação de que o debate eleitoral se concentrou em alianças políticas e nomes, negligenciando as questões mais relevantes que afetam a população.
Graduado em Direito, Requião Filho iniciou sua carreira política em 2014, quando foi eleito pela primeira vez deputado estadual, obtendo 50.167 votos. Ele foi reeleito em 2018, alcançando a quarta posição entre os mais votados da legislatura, e novamente em 2022, com mais de 85.600 votos. Durante seu mandato atual, ele lidera a bancada de oposição na Assembleia Legislativa, integra a Comissão de Constituição e Justiça e preside a Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais.
O deputado construiu uma imagem associada ao combate à corrupção e à fiscalização das ações do Executivo estadual, tendo apresentado Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e denúncias de irregularidades. Originalmente filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Requião Filho recebeu autorização da Justiça Eleitoral para se desfiliar sem perder o mandato. Em maio de 2025, ele confirmou sua filiação ao PDT, formalizada em julho do mesmo ano, ao lado de seu pai. Ao justificar sua saída do PT, Requião Filho afirmou que a prioridade do partido era a eleição de deputados federais e a reeleição do presidente Lula, o que o levou a buscar um ambiente mais leve no PDT.
Essa mudança teve impacto significativo na política paranaense, com pesquisas do Instituto Neokemp indicando que Requião Filho varia entre 10,1% e 14,1% nas intenções de voto, com chances de avançar para o segundo turno, desempenho que supera o candidato petista, que não ultrapassa 5,1%.
Requião Filho utiliza seu sobrenome como uma bandeira, lembrando iniciativas de seu pai, como o programa de leite para crianças, o Trator Solidário e tarifas de água e luz que eram as mais acessíveis do Brasil. Para ele, essas ações simbolizam um período em que o Estado priorizava o bem-estar da população em detrimento de grandes grupos econômicos.
Em relação à segurança pública, o pré-candidato critica a falta de efetivo policial e defende investimentos em contratações, formação e valorização dos agentes. Ele destaca o aumento da violência em algumas regiões como resultado da ausência de políticas estruturadas. Na educação, Requião Filho argumenta que a ênfase excessiva em indicadores administrativos compromete a qualidade do ensino e defende a valorização dos professores, a ampliação de concursos públicos e mais investimentos na formação de profissionais da rede estadual.
A defesa do interior paranaense é outra prioridade para Requião Filho, que aponta a perda de jovens e investimentos em pequenas cidades, levando moradores a migrar para grandes centros. Ele propõe a interiorização do desenvolvimento econômico, o fortalecimento das universidades estaduais e o estímulo à instalação de novas indústrias fora da Região Metropolitana de Curitiba.
No setor agropecuário, o pré-candidato defende a retomada do programa Trator Solidário, crédito facilitado, tarifas de energia mais acessíveis para irrigação e a criação de um novo seguro safra estadual. Para infraestrutura, ele propõe investimentos significativos em ferrovias, estimando um custo entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões, com financiamento público, argumentando que a iniciativa privada não assume esses riscos de longo prazo.
Requião Filho também critica o atual modelo de concessões rodoviárias e a privatização de empresas públicas, defendendo maior controle estatal sobre serviços estratégicos. Ele questiona os resultados das mudanças recentes, citando a Companhia Paranaense de Energia (Copel), privatizada em 2023, e sugere que o Estado retome o controle da companhia caso enfrente colapso financeiro.
Em relação à Lei do Pedágio, o pré-candidato acusa de conflito de interesse o modelo atual, criado durante o governo Bolsonaro, e pede uma fiscalização mais rigorosa sobre as concessionárias.
Nas pesquisas até o momento, a pré-candidatura de Requião Filho o coloca como um dos principais nomes da oposição, embora apareça atrás do grupo apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD). O próprio Requião Filho afirma que sua constante presença na segunda colocação nas pesquisas reforça sua decisão de manter a candidatura e ampliar o debate sobre propostas para o Paraná. No entanto, ele enfrenta uma rejeição considerável entre o eleitorado conservador, fenômeno que atribui à polarização política atual, e busca superá-la por meio da apresentação de propostas concretas e da associação com políticas dos governos de Roberto Requião.






