O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu pela soltura do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella, na noite de sexta-feira, 10 de novembro. Canella havia sido preso em flagrante na última terça-feira, 7 de novembro, durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, realizada pela Polícia Federal (PF), sob a acusação de posse ilegal de arma de fogo.
A Operação Unha e Carne investiga a suposta conexão entre agentes públicos e organizações criminosas, e, embora não houvesse um mandado de prisão contra Canella, as autoridades encontraram um fuzil calibre .556 em seu veículo. O ex-prefeito negou a propriedade da arma, e Moraes ressaltou que essa questão deve ser esclarecida nas investigações em andamento.
Após uma audiência de custódia, onde sua prisão foi inicialmente mantida, Canella foi transferido para um presídio no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Contudo, a decisão de Moraes permitiu sua libertação, embora tenha imposto medidas cautelares, incluindo a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma.
A Operação Unha e Carne, que inicialmente visava a busca e apreensão de Canella, está centrada em uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As investigações revelaram um suposto esquema de lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões. Ao todo, a operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em diversos endereços do estado, resultando na apreensão de quantias em dinheiro, tanto em reais quanto em dólares, além de veículos de luxo, armas, celulares e joias.
Além da prisão de Márcio Canella, um policial militar também foi detido em Camboinhas, Niterói, na região metropolitana do Rio, portando uma pistola. O caso levanta questões sobre a possível infiltração de práticas ilícitas no serviço público e a atuação das forças de segurança na repressão ao crime organizado.
As investigações continuam, e a situação de Canella e demais envolvidos será monitorada pelas autoridades competentes, à medida que novos desdobramentos possam ocorrer. A decisão do STF reflete a complexidade do caso e a necessidade de um processo judicial que respeite os direitos de defesa, ao mesmo tempo em que busca esclarecer as ligações entre o poder público e o crime organizado.






