Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) terão tempos distintos na propaganda eleitoral gratuita na televisão, com uma diferença de 1 minuto e 12 segundos em favor do petista. Flávio Bolsonaro, que encerrou o período de fechamento de coligações sem contar com apoio de aliados, dependerá exclusivamente da bancada de seu partido no Congresso Nacional para a distribuição do tempo de propaganda, que totaliza 4 minutos e 20 segundos. Já Lula deve dispor de aproximadamente 5 minutos e 32 segundos, segundo estimativas oficiais.
A diferença de 1 minuto e 12 segundos entre os tempos de propaganda dos dois candidatos representa a segunda menor disparidade registrada desde as eleições de 2010, quando Dilma Rousseff (PT) venceu José Serra (PSDB) no segundo turno. Desde então, o tempo de televisão tem sido determinado com base na representatividade de cada partido no Congresso Nacional, levando em consideração o número de deputados e senadores de cada legenda, além de 10% do tempo total, dividido igualmente entre todos os candidatos.
O cenário atual reflete uma mudança na dinâmica das campanhas, especialmente após a reforma eleitoral aprovada em 2015, que reduziu significativamente o tempo total destinado à propaganda eleitoral na televisão. Antes da reforma, o período de exibição era de 50 minutos diários, divididos em dois blocos, ao passo que, após a mudança na legislação, esse tempo foi reduzido para 20 minutos, também distribuídos em dois blocos. Além disso, os candidatos podem veicular inserções ao longo da programação, com duração entre 30 e 60 segundos, que também seguem as regras de proporcionalidade de bancadas partidárias.
Historicamente, desde a primeira vitória do PT na eleição presidencial de 2002, o PSDB tem formado grandes coligações para ampliar sua presença nas disputas eleitorais, embora, em muitos casos, com menor tempo de propaganda. Em 2014, por exemplo, o PSDB contou com um número recorde de partidos aliados, mas acabou perdendo tempo de televisão. Luiz Inácio Lula da Silva, em suas campanhas, sempre acumulou menos tempo de propaganda em comparação com adversários que representam a centro-direita ou a direita, como é o caso de Flávio Bolsonaro.
Os dados utilizados nesta análise foram fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e consideram o cenário do primeiro turno. Caso haja um segundo turno, os candidatos terão direito a uma divisão igualitária de 50% do tempo total de propaganda. A redução do tempo de televisão entre as eleições de 2014 e 2018 foi consequência direta da reforma eleitoral de 2015, que diminuiu o período de exibição de 50 minutos para 20 minutos diários, além de limitar o uso de inserções ao longo da programação.
Apesar de o tempo de televisão ser considerado um fator importante na campanha, a história recente demonstra que sua influência nem sempre determina o resultado eleitoral. Em 2018, por exemplo, Jair Bolsonaro conquistou a vitória sobre Fernando Haddad (PT) com apenas oito segundos de exposição na TV. Por outro lado, candidatos com maior tempo de propaganda, como Geraldo Alckmin (então no PSDB), não obtiveram sucesso proporcional ao volume de sua exibição, evidenciando que outros fatores também pesam na eleição.
O Partido Liberal (PL), liderado por Valdemar Costa Neto, optou por uma campanha independente nesta eleição, sem formar alianças amplas. Após dificuldades para definir um vice, Flávio Bolsonaro anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de chapa. Mesmo isolado, o parlamentar possui o segundo maior tempo de propaganda entre os candidatos, sendo o principal representante da direita e do centro-direita na disputa presidencial.
Na semana passada, o TSE divulgou a tabela de representatividade dos partidos, que servirá de base para o cálculo do tempo de propaganda de cada candidato e orientará a produção de conteúdos que serão veiculados entre 28 de agosto e 1º de outubro, período oficial de campanha eleitoral.








