O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, recebeu nesta terça-feira a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) para discutir o futuro da legenda e os desafios políticos previstos para os próximos meses. O encontro ocorreu no mesmo dia em que Valdemar convocou uma reunião de emergência com parlamentares do partido após relatos de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos.
Segundo Valdemar, a conversa com Michelle teve como foco a organização interna do PL e os próximos passos da sigla. “Recebi hoje a senadora eleita Michelle Bolsonaro para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente. Seguimos unidos, com diálogo, responsabilidade e compromisso com o Brasil”, afirmou o dirigente partidário.
A reunião aconteceu em um cenário de incerteza envolvendo o paradeiro de Flávio Bolsonaro e de discussões sobre a estratégia da oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também esteve na sede nacional do partido.
A possibilidade de viajar para fora do país teria sido discutida por Flávio depois da derrota na eleição presidencial, ocorrida no domingo (25). Inicialmente, o senador teria rejeitado a hipótese de deixar o Brasil. A situação, segundo relatos de aliados, mudou depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão dos passaportes do parlamentar.
Aliados afirmam que Flávio ficou indignado com a decisão judicial e passou a demonstrar preocupação com a possibilidade de ser preso. A previsão inicial era de que apenas a mulher e as filhas do senador viajassem ao exterior, sob a justificativa de questões relacionadas à segurança. Posteriormente, conforme os mesmos relatos, Flávio teria decidido acompanhá-las na viagem aos Estados Unidos.
Na manhã desta terça-feira, integrantes da defesa do senador informaram que não estavam conseguindo estabelecer contato com ele. Os advogados tinham uma reunião marcada para recolher os passaportes e providenciar a entrega dos documentos à Polícia Federal (PF), conforme determinado por Moraes. O encontro, no entanto, não ocorreu, e o prazo fixado pelo ministro terminou às 11h.
A ausência de contato gerou divergências entre integrantes do grupo político ligado a Flávio. Parte dos aliados avalia que uma eventual permanência do senador nos Estados Unidos poderia comprometer sua capacidade de exercer a liderança da oposição ao governo Lula. Outros integrantes do entorno político defendem a viagem diante do receio de que novas medidas judiciais sejam adotadas contra ele.
Enquanto tenta esclarecer a situação, o PL também trabalha na reorganização de sua atuação após a derrota presidencial e na definição da estratégia de suas bancadas no Congresso Nacional. A reunião convocada por Valdemar Costa Neto busca avaliar o cenário político e os possíveis impactos da situação envolvendo Flávio Bolsonaro sobre a legenda e a oposição.
A decisão de Alexandre de Moraes está relacionada a uma investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Além de ordenar a entrega dos passaportes, o ministro proibiu que o senador mantenha contato com o advogado. Flávio e Willer Tomaz negam a existência de irregularidades.







