Vittorio Medioli, filiado ao Partido Liberal (PL), anunciou sua disposição para concorrer ao cargo de governador de Minas Gerais nas eleições de 2026. A decisão ocorre em um cenário de incerteza dentro do partido, que ainda discute se deve apoiar a candidatura do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, ou lançar um candidato próprio.
O ex-prefeito de Betim pretende implementar no estado o modelo de gestão que adotou durante seus oito anos à frente do município. Embora se declare pré-candidato, Medioli reconhece que a decisão final sobre a candidatura cabe ao PL e está aberto à possibilidade de ser vice em uma chapa liderada por Cleitinho, desde que haja um programa de governo claro e compromissos nas áreas fiscal, saúde e educação.
Medioli iniciou sua carreira política em 1990, quando foi eleito deputado federal por Minas Gerais, cargo que ocupou por quatro mandatos consecutivos até 2007. Durante seu tempo na Câmara dos Deputados, passou por diferentes partidos, incluindo o PSDB e o PV, e participou de debates sobre economia, meio ambiente, transporte e segurança. Ele também apresentou propostas, como a autorização para que escolas instalassem equipamentos de controle para impedir a entrada de armas.
O ex-deputado afirma ter contribuído para as discussões que levaram à implementação do Plano Real em 1994. Após deixar a Câmara, Medioli se afastou da política por alguns anos, focando em suas atividades empresariais e em projetos em Betim. Em 2016, retornou ao cenário político ao concorrer à Prefeitura de Betim pelo extinto Partido Humanista da Solidariedade (PHS), sendo eleito no primeiro turno. Em 2020, foi reeleito com cerca de 76% dos votos válidos, encerrando sua gestão em 2024.
Durante sua administração, Medioli priorizou a reorganização das contas públicas, a ampliação da rede de saúde, a educação infantil e o saneamento básico. Ele afirma ter recebido Betim com uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões, quitando os compromissos e deixando cerca de R$ 800 milhões em caixa. Na saúde, destaca a construção e reforma de unidades básicas e a ampliação da atenção básica, que, segundo ele, melhorou o atendimento aos moradores.
Na educação, uma de suas principais bandeiras foi a expansão das creches de tempo integral, considerando a primeira infância como uma prioridade. Após seu período como prefeito, Medioli ficou sem partido até março de 2026, quando se filiou ao PL, inicialmente com a expectativa de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Com o passar dos meses, seu nome começou a ser cogitado para a disputa ao governo, especialmente em meio à divisão interna do PL sobre a estratégia a ser adotada. Embora a possibilidade de apoio a Cleitinho Azevedo ainda esteja em discussão, a falta de uma confirmação definitiva por parte do senador levou a uma maior consideração pela candidatura própria do PL, com Medioli e o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe, como opções.
Medioli defende a necessidade de uma candidatura própria para garantir um palanque estadual ao pré-candidato presidencial apoiado pelo PL. Apesar de contar com o apoio de membros das bancadas estadual e federal, sua participação depende da decisão oficial do partido e da homologação nas convenções.
Entre suas propostas, Medioli destaca a reorganização das contas públicas, criticando o aumento da dívida do estado e propondo uma revisão dos compromissos financeiros. Ele também sugere a redução de impostos em setores onde a carga tributária prejudica a produção e a geração de empregos, argumentando que alíquotas menores poderiam estimular a economia.
Na área da saúde, propõe a ampliação das equipes de Saúde da Família e uma melhor integração entre unidades básicas, UPAs e hospitais. Medioli também planeja criar estruturas regionais do governo estadual para facilitar o atendimento aos prefeitos, descentralizando decisões e organizando investimentos conforme as necessidades locais.
Em relação à educação, sua proposta inicial para uma eventual gestão seria ampliar o atendimento pré-escolar e as creches em tempo integral, utilizando como modelo as ações implementadas em Betim. Ele pretende associar educação e assistência social, especialmente em regiões com baixos indicadores de desenvolvimento.
Embora esteja vinculado a um partido de direita, Medioli ressalta que sua posição em relação às privatizações será avaliada caso a caso, levando em conta a qualidade e a capacidade dos serviços públicos. Ele criticou a desestatização da Copasa, ressaltando a importância do saneamento como uma questão social.
Medioli também se opõe ao projeto do Rodoanel Metropolitano, argumentando que o traçado proposto afetaria áreas urbanas e transferiria o trânsito pesado para regiões densamente habitadas. Ele sugere um contorno mais afastado das cidades e sem cobrança de pedágio.
Com sua candidatura ao governo em aberto, Medioli poderá liderar uma chapa própria do PL, aceitar a vice na candidatura de Cleitinho ou concorrer a outro cargo, dependendo das decisões do partido e da definição do senador do Republicanos.









