O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou a suspensão temporária da operação de compra de 120 lojas da DMA Distribuidora pelo Supermercados BH, controlado pelo empresário Pedro Lourenço, conhecido como Pedrinho, atual proprietário da Sociedade Anônima do Cruzeiro Esporte Clube (SAF). A decisão foi tomada após análise da Superintendência-Geral do órgão, que classificou a operação como “complexa” e identificou riscos à concorrência no mercado mineiro.
A aquisição, que foi formalizada no final de abril de 2026, previa a incorporação da DMA, responsável pelas marcas EPA e Mineirão, ao grupo liderado por Lourenço. Com a conclusão do negócio, o grupo passaria a administrar aproximadamente 600 lojas, consolidando uma rede de grande porte no estado de Minas Gerais. Estima-se que o faturamento anual combinado das duas redes atingisse cerca de R$ 35 bilhões, embora os valores específicos pagos pelas lojas não tenham sido divulgados pelas empresas envolvidas.
A decisão do Cade, emitida no final de agosto, impede a fusão imediata das redes, apontando que há risco de concentração de mercado em 113 dos 120 municípios analisados. Essa sobreposição horizontal indica que as duas empresas competem diretamente nos mesmos bairros ou cidades, o que poderia prejudicar a livre concorrência e limitar opções para os consumidores locais.
O órgão federal estabeleceu um prazo de 15 dias para que o Supermercados BH e a DMA Distribuidora apresentem dados objetivos que comprovem o cumprimento de quatro requisitos essenciais para a liberação da operação. Entre eles, estão informações detalhadas sobre a transferência de pontos comerciais, instalações físicas e marcas em 23 municípios mineiros. Essas cidades, que não tiveram seus nomes especificados na matéria, são as regiões onde a concentração de lojas e a sobreposição de mercado representam maior risco.
Caso as empresas não cumpram o prazo ou não apresentem os documentos solicitados, o Cade poderá vetar definitivamente a aquisição ou obrigar a venda de parte das lojas envolvidas na operação, a fim de preservar a concorrência no setor varejista de Minas Gerais. A decisão reforça o papel do órgão na fiscalização de fusões e aquisições que possam afetar negativamente o mercado e a livre competição entre empresas no Brasil.









