O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), manifestou duramente sua posição em relação às recentes movimentações do ex-secretário Marcelo Aro (PP), que tem articulado uma candidatura ao Governo de Minas Gerais em desacordo com o acordo firmado com o atual governador Mateus Simões (PSD). Zema qualificou Aro como uma “ave de rapina” e um “traidor”, criticando sua postura e as estratégias políticas que, segundo ele, ameaçam a estabilidade do estado e a reconstrução feita nos últimos anos.
As declarações foram divulgadas na noite de quinta-feira (30) pela equipe de campanha de Zema, após Aro começar a articular sua candidatura ao Palácio Tiradentes, contrariando o entendimento de que apoiaria a reeleição de Simões ao Senado. Zema afirmou que a traição de Aro representa um problema na política brasileira, destacando que muitos políticos priorizam interesses pessoais em detrimento do bem comum. Para o ex-governador, as ações de Aro em Brasília podem abrir espaço para políticos considerados “vendidos” retornarem ao poder, colocando em risco os avanços e a prosperidade de Minas Gerais.
Zema criticou a estratégia de Aro de estabelecer alianças entre a federação União-PP e o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PL, considerando tais movimentos como exemplos da “velha política” que, na visão dele, causou prejuízos ao estado. Segundo o ex-governador, esses arranjos políticos, muitas vezes articulados em encontros secretos, não representam o desejo da população mineira, que, na sua avaliação, é quem acaba arcando com os custos desses acordos. Ele reforçou que a cultura política de Minas deve valorizar a lealdade e a integridade, valores que, na sua visão, estão sendo desrespeitados por figuras como Aro.
No âmbito político, o movimento de Aro também provocou uma ruptura com o atual prefeito de Belo Horizonte, Mateus Simões, que anunciou a saída da chamada “Família Aro” das negociações em andamento. Em entrevista à Itatiaia, Simões revelou que Marcelo Aro vinha negociando sua candidatura ao Governo de Minas há semanas, apesar de inicialmente indicar que apoiaria sua reeleição ao Senado. Segundo o prefeito, Aro decidiu se retirar definitivamente do governo após quatro anos de atuação, acusando-o de “parasitar” a gestão estadual em prol de um projeto pessoal e de virar as costas ao próprio governador Romeu Zema, que o recebeu na administração pública.
Marcelo Aro, que comandou a Casa Civil e a Secretaria de Governo durante a gestão de Zema, tem forte influência política em diversos municípios de Minas Gerais, comandando um amplo grupo de deputados e vereadores. Sua articulação para uma candidatura ao Governo de Minas representa uma ameaça aos planos de Simões e também pode impactar as estratégias do PL e do Republicanos, partidos que ainda avaliam lançar o senador Cleitinho Azevedo na disputa pelo Palácio Tiradentes.
Até o momento, Marcelo Aro não se pronunciou oficialmente sobre as declarações de Zema ou sobre sua intenção de disputar o Governo de Minas, mas a reportagem mantém espaço aberto para uma resposta do ex-secretário. O cenário político mineiro, marcado por negociações e disputas internas, indica que a movimentação de Aro pode alterar o equilíbrio de forças na corrida ao Palácio Tiradentes, enquanto Zema reforça sua posição de liderança e crítica às estratégias de seus adversários políticos.







