Uma reação alérgica grave pode comprometer a respiração e a circulação em questão de minutos. Falta de ar, inchaço na garganta, queda acentuada da pressão arterial e desmaio são sinais de anafilaxia, condição que pode evoluir rapidamente para choque anafilático. O choque foi apontado como a causa da morte da atriz e ex-apresentadora Janaína Barbosa, de 48 anos, ocorrida na terça-feira (3/11) e divulgada na quarta-feira (4/11).
De acordo com o imunologista Ântonio Condino Neto, que atua em São Paulo, a anafilaxia ocorre quando células de defesa liberam uma quantidade elevada de substâncias no organismo, incluindo a histamina. A reação provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e facilita a passagem de líquido para os tecidos. Como consequência, podem surgir inchaços e uma queda importante da pressão arterial, comprometendo o funcionamento do organismo.
Entre os fatores capazes de desencadear uma reação anafilática estão alimentos, medicamentos e ferroadas de insetos. Os sintomas geralmente aparecem entre alguns minutos e duas horas após o contato com o agente responsável, embora também possam surgir de forma tardia. Informações do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), indicam que a primeira reação alérgica de uma pessoa já pode se manifestar como anafilaxia.
Reação pode ocorrer sem manchas ou coceira
A pele pode apresentar manchas e coceira durante uma reação alérgica, mas esses sinais não aparecem obrigatoriamente em todos os pacientes. Por isso, a ausência de alterações cutâneas não é suficiente para afastar a possibilidade de anafilaxia. O quadro deve ser considerado especialmente grave quando há dificuldade para respirar ou sinais de comprometimento da circulação.
A redução expressiva da pressão arterial é um dos mecanismos que podem levar ao choque anafilático. Também é preciso observar manifestações no sistema digestivo. Dor abdominal intensa e episódios repetidos de vômito podem ser confundidos com uma indisposição alimentar, segundo o gastroenterologista Jacques Matone, do Hospital Albert Einstein e especialista em nutrologia.
Esses sintomas exigem avaliação urgente quando aparecem depois do contato com um possível desencadeador de alergia, sobretudo em pessoas que já sabem ter alguma alergia. Matone ressalta que uma reação grave não necessariamente começa com falta de ar. Por esse motivo, a orientação é não esperar o surgimento de todos os sinais para procurar ajuda, pois a evolução pode ser acelerada e o atendimento precoce é determinante.
Adrenalina é o tratamento indicado nos casos graves
A adrenalina é o medicamento indicado para auxiliar na recuperação da pressão arterial e diminuir o inchaço que pode ameaçar a passagem de ar. Antialérgicos e corticoides não substituem a adrenalina e não devem ser usados como motivo para adiar o atendimento emergencial. Segundo Condino Neto, a adrenalina é essencial quando o objetivo é salvar a vida do paciente.
Quem possui adrenalina autoinjetável prescrita deve utilizá-la imediatamente ao identificar sinais de anafilaxia. A aplicação deve ser feita na parte externa da coxa, conforme o treinamento recebido. Mesmo que os sintomas melhorem depois da aplicação, a pessoa precisa ser levada a um hospital, porque a reação pode voltar.
Se a suspeita estiver relacionada ao consumo de um alimento, é necessário interromper a ingestão do produto. Durante a emergência, não se deve provocar vômito, oferecer comida ou bebida, nem esperar que um antialérgico controle sozinho o quadro.
A suspeita de anafilaxia exige o acionamento imediato do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. Ao ligar, é importante informar os sintomas e seguir as instruções da equipe até a chegada do socorro. Caso o paciente tenha um autoinjetor prescrito, o dispositivo deve ser aplicado conforme a orientação médica, sem que isso atrase o chamado de emergência.
Acompanhamento ajuda a prevenir novos episódios
Depois da recuperação, a avaliação de um alergista permite investigar o que provocou a reação e definir um plano para situações de emergência. As orientações também devem ser conhecidas por familiares, cuidadores e pessoas que convivem com o paciente na escola ou no trabalho.
Quando houver prescrição, o autoinjetor deve acompanhar o paciente em sua rotina, independentemente do local onde esteja. Como resume o imunologista, “o autoinjetor vai onde o paciente vai”.








