A perda auditiva é um fenômeno que afeta a maioria das pessoas com o avançar da idade, sendo um processo natural que geralmente se intensifica a partir dos 50 anos, quando a capacidade auditiva pode diminuir cerca de 1% ao ano. No entanto, essa condição pode ter consequências mais graves, impactando a função cerebral e aumentando o risco de demência.
De acordo com o neurologista Thiago Taya, do Hospital Brasília Águas Claras, o cérebro depende da integração de todos os cinco sentidos para funcionar de maneira eficaz. A diminuição da audição, em particular, resulta na redução dos estímulos sensoriais, o que compromete a atividade em regiões cerebrais cruciais. Taya explica que a audição é vital para o raciocínio e a memória auditiva, e a sua perda pode levar à redução da neuroplasticidade, ou seja, à capacidade do cérebro de formar novas conexões e neurônios.
Estudos têm demonstrado uma forte relação entre a perda auditiva e o aumento do risco de demência, com especialistas afirmando que a deficiência auditiva pode elevar esse risco em até 8%. Taya destaca que a perda auditiva é um dos fatores de risco modificáveis mais significativos para a demência, ou seja, uma condição que pode ser tratada ou prevenida.
A diminuição da atividade nas áreas responsáveis pela percepção e processamento auditivo resulta em uma menor transferência de informações para regiões cognitivas do cérebro. Isso, por sua vez, reduz a quantidade de dados sensoriais disponíveis para a formação de memórias e raciocínios, prejudicando a neuroplasticidade.
Embora a perda auditiva seja uma parte natural do envelhecimento, sua intensidade pode indicar a necessidade de investigação médica. A otorrinolaringologista Larissa Camargo, do Hospital Santa Lúcia Sul em Brasília, ressalta a importância de um diagnóstico precoce. Ela afirma que a identificação de sinais de perda auditiva, muitas vezes percebidos em interações familiares, pode ser crucial para prevenir o desenvolvimento de demência no futuro.
Camargo aponta que, entre os principais sinais de que a perda auditiva está afetando a vida cotidiana, estão dificuldades em ouvir conversas, especialmente em ambientes barulhentos, e a necessidade de aumentar o volume da televisão ou rádio. Quanto mais cedo a perda auditiva for diagnosticada, menores as chances de complicações cognitivas.
Apesar da possibilidade de tratamento, a adesão ao uso de aparelhos auditivos ainda enfrenta barreiras sociais, especialmente entre os idosos, que frequentemente se sentem constrangidos em utilizá-los. Contudo, a crescente disponibilidade de modelos mais discretos tem ajudado a reduzir esse estigma, incentivando o uso desses dispositivos como uma medida eficaz para mitigar o risco de demência.
O neurologista Taya enfatiza que o tratamento da perda auditiva pode reduzir em até 7% os fatores de risco modificáveis para a demência. O uso adequado de aparelhos auditivos, quando indicado, é fundamental para a preservação da saúde cognitiva, contribuindo significativamente para a redução do risco de demência em populações vulneráveis.








