O atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, do Partido dos Trabalhadores (PT), é pré-candidato à reeleição nas eleições de 2026. Caso obtenha sucesso nas urnas, o PT consolidará um ciclo de 24 anos à frente do Executivo baiano. A estratégia de reeleição de Jerônimo inclui uma chapa majoritária que conta com dois ex-governadores como pré-candidatos ao Senado Federal: Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner, que já ocupou o governo do estado.
Em relação à eleição presidencial, Jerônimo enfatiza a importância do apoio do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que a colaboração entre ambos é fundamental para mobilizar o eleitorado baiano.
Nascido em Aiquara, uma pequena cidade no sul da Bahia, Jerônimo Rodrigues formou-se em engenharia agronômica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Sua trajetória política começou durante os anos de faculdade, quando se filiou ao PT e participou da campanha de Jaques Wagner em 2006. Em 2010, já sob a gestão de Wagner, ingressou na Secretaria de Planejamento do estado.
Em 2011, foi para Brasília, onde foi indicado para o governo de Dilma Rousseff, exercendo a função de secretário no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Retornou à Bahia em 2014 para trabalhar com o então governador Rui Costa.
Jerônimo ganhou notoriedade na política baiana por sua atuação nos bastidores, ao invés de por meio de campanhas eleitorais. Entre 2015 e 2019, liderou a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, onde promoveu investimentos superiores a R$ 2,5 bilhões para fortalecer a agricultura familiar. Em 2018, coordenou a campanha de reeleição de Rui Costa, que obteve mais de 75% dos votos válidos no primeiro turno. No ano seguinte, assumiu a Secretaria de Educação, onde foi responsável por um investimento de R$ 3,5 bilhões em infraestrutura escolar.
A candidatura de Jerônimo foi oficialmente anunciada pelo PT em julho de 2022, gerando ceticismo até mesmo entre membros do partido. A poucos meses da eleição, pesquisas indicavam uma ampla vantagem de ACM Neto, do União Brasil, que variava entre 40 e 50 pontos percentuais sobre Jerônimo. Contudo, os resultados das urnas surpreenderam, com Jerônimo recebendo 49,33% dos votos no primeiro turno, contra 40,88% de ACM Neto. No segundo turno, ele foi eleito com 52,79% dos votos, tornando-se o primeiro governador autodeclarado indígena do Brasil e reafirmando o domínio do PT na Bahia, iniciado com a vitória de Jaques Wagner em 2006.
Combate à fome e investimentos em infraestrutura
Ao avaliar sua gestão, Jerônimo destaca o combate à fome como a principal marca de seu governo, informando que conseguiu retirar quase 2,3 milhões de pessoas da insegurança alimentar. Entretanto, ele reconhece que cerca de 700 mil baianos ainda enfrentam essa situação, o que o preocupa. Entre as iniciativas adotadas estão a distribuição de cestas básicas, a criação de restaurantes populares, o apoio a cozinhas comunitárias e a ampliação da alimentação escolar.
Na área de mobilidade urbana, Jerônimo menciona projetos significativos em Salvador, como a implementação do VLT do Subúrbio, a expansão do metrô e a construção da Ponte Salvador-Itaparica. O governador viajou à Espanha para conhecer o modelo de VLT que servirá de referência para o projeto baiano e prevê a inauguração do sistema até 2026, com a operação de pelo menos 17 trens. Em relação à Ponte, um consórcio chinês já firmou um acordo para utilizar um estaleiro em Maragogipe na fabricação das estruturas, com início das obras previsto para o primeiro semestre.
No setor de saúde, Jerônimo apresenta um panorama de hospitais regionais que foram inaugurados ou estão em construção e anunciou um acordo com laboratórios da Índia e da Coreia do Sul, através da Bahia Farma, para a produção de medicamentos para doenças raras e câncer. Segundo o pré-candidato, um dos medicamentos que atualmente custa R$ 17 mil por caixa será produzido localmente por aproximadamente R$ 11 mil, representando uma economia significativa para o Sistema Único de Saúde (SUS).







