O presidente do diretório estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Ronaldo Mansur, anunciou sua pré-candidatura ao governo da Bahia nas eleições de 2026. A chapa conta com a professora Meire Reis como vice-governadora e Delliana Ricelli como pré-candidata ao Senado.
Natural de Alagoinhas, na Bahia, Mansur possui formação técnica em meio ambiente e atualmente é estudante de Direito. Ele é um militante ativo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e um dos fundadores do PSOL na Bahia, onde já ocupou os cargos de secretário-geral e tesoureiro do diretório estadual. Atualmente, Mansur está em seu segundo mandato como presidente do partido no estado e integra a executiva nacional do PSOL.
A trajetória política de Mansur começou na infância, aos 10 anos, durante uma greve de operários da construção civil no bairro Nordeste de Amaralina, em Salvador. Desde então, ele se envolveu em diversas lutas sociais, incluindo uma greve de comerciários. Ao longo de sua carreira, Mansur já disputou três eleições, tendo concorrido ao cargo de vice-governador em 2014, na chapa de Marcos Mendes, e em 2022, na chapa de Kleber Rosa. Em 2018, ele também tentou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não obteve sucesso em nenhuma das candidaturas.
O projeto político de Mansur para o Palácio de Ondina é fundamentado em demandas de movimentos sociais, com foco em atender a população que, segundo ele, foi historicamente negligenciada por governos anteriores, tanto do grupo carlista quanto do petista.
Prioridades da candidatura
Entre as principais propostas de Mansur para o governo da Bahia estão a segurança pública, a preservação ambiental e a valorização dos servidores públicos. Ele critica a falta de uma política de segurança bem estruturada no estado, afirmando que o crime organizado já afeta mais de 70% dos 417 municípios baianos. Para Mansur, a responsabilidade pela situação não recai sobre os policiais militares, mas sim sobre décadas de inação dos gestores estaduais.
O pré-candidato defende que a segurança pública deve ser abordada de maneira abrangente, incluindo educação, geração de empregos, promoção de renda, esportes, lazer e cultura. Ele argumenta que, sem um conjunto de políticas integradas, nenhuma força policial conseguirá resolver os problemas enfrentados nas comunidades. Além disso, Mansur criticou a falta de implementação de câmeras corporais para a polícia, uma promessa que, segundo ele, ainda não foi cumprida pelo atual governador.
Análise do cenário político
Ao refletir sobre os 20 anos de governo do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, Mansur reconhece os avanços nos primeiros mandatos de Jaques Wagner, mas acredita que o ciclo perdeu a capacidade de promover mudanças significativas. Para ele, o atual governo de Jerônimo Rodrigues não apresenta uma política eficaz de segurança e falha em resolver a insegurança alimentar de forma adequada, perpetuando práticas que ele descreve como uma continuidade do que chamou de “pão e circo”.
Em sua candidatura para 2026, o PSOL se posiciona como uma alternativa que não integra a base governista, adotando uma postura de oposição tanto à esquerda, representada pelo PT, quanto à direita, simbolizada por ACM Neto (União Brasil) e pelo ex-deputado José Carlos Aleluia (Novo).
Sobre suas perspectivas eleitorais, Mansur não hesita em afirmar que se a eleição fosse hoje, votaria em si mesmo. Ele enfatiza que sua candidatura não é apenas uma tentativa de vitória, mas uma forma de demarcar um espaço político que apresente uma alternativa à polarização que tem dominado a política baiana nas últimas duas décadas.







