Um estudo recente publicado na revista Clinical Cancer Research revelou um mecanismo biológico que pode estar por trás da resistência ao uso do trastuzumabe deruxtecana (T-DXd), um dos medicamentos mais utilizados no tratamento do câncer de mama metastático HER2-positivo e HER2-low. A descoberta aponta uma possível nova estratégia terapêutica que, futuramente, poderá restaurar a eficácia do medicamento em pacientes que apresentam resistência ao tratamento.
Liderada por pesquisadores do Houston Methodist e da Texas A&M University, a pesquisa analisou amostras de metástases coletadas antes do início da terapia com T-DXd. O objetivo foi compreender por que algumas pacientes não respondem ao tratamento, mesmo na ausência de características clínicas que indicariam maior risco de falha terapêutica. Os resultados indicaram que tumores resistentes apresentavam aumento das proteínas S100, que ativam o receptor RAGE. Essa ativação desencadeava uma série de sinais intracelulares que favoreciam a sobrevivência das células cancerígenas e dificultavam a ação do medicamento, sendo esse mecanismo observado em diferentes locais de metástase.
O câncer de mama é uma doença caracterizada pela multiplicação desordenada de células na mama, formando tumores que podem variar em velocidade de crescimento. Apesar de acometer principalmente mulheres, também pode afetar homens. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama apresenta diversos tipos, alguns de desenvolvimento rápido e outros mais lentos. Quando diagnosticado precocemente, o prognóstico costuma ser favorável, embora o diagnóstico tardio possa levar a consequências graves, incluindo perda de órgãos, autoestima e até a morte. A doença é responsável pelo maior número de óbitos por câncer na população feminina brasileira.
Entre os sinais de alerta, destacam-se o surgimento de caroços ou nódulos endurecidos, alterações na pele ou no bico do seio, saída espontânea de líquido, nódulos nas regiões do pescoço ou axilas, além de alterações na textura da pele, como vermelhidão ou aspecto de casca de laranja. O autoexame das mamas, realizado periodicamente, é uma ferramenta fundamental na detecção precoce da enfermidade. Para uma avaliação adequada, recomenda-se que mulheres acima de 20 anos, especialmente aquelas com histórico familiar ou com mais de 40 anos sem casos na família, realizem o procedimento em três etapas: frente ao espelho, de pé e deitada, sempre atento a qualquer alteração.
Homens também podem desenvolver câncer de mama, embora seja mais raro, apresentando sintomas semelhantes aos das mulheres. Quando há suspeita de tumor, a orientação é procurar um médico para realização de exames confirmatórios, como mamografia e análises laboratoriais. A presença de pequenos nódulos não indica necessariamente malignidade, mas se esses aumentarem de tamanho ou causarem outros sintomas, o acompanhamento médico é imprescindível.
O tratamento do câncer de mama varia conforme a extensão da doença e as características do tumor, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia ou terapia biológica. Quando a doença é detectada precocemente, as chances de cura aumentam significativamente. Contudo, em casos de metastase, o foco do tratamento é prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente.
No âmbito da pesquisa, os cientistas testaram um inibidor oral do receptor RAGE, conhecido como TTP488 ou azeliragon, em combinação com o T-DXd. Em experimentos laboratoriais e em modelos animais, essa estratégia mostrou-se capaz de aumentar a morte das células tumorais, restaurar a resposta ao tratamento e reduzir a carga metastática. Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que a pesquisa ainda está em fase pré-clínica, sendo necessários estudos clínicos para avaliar a segurança e a eficácia da combinação em pacientes humanos. A identificação da via S100-RAGE abre uma nova perspectiva no combate à resistência ao tratamento do câncer de mama avançado, representando um avanço importante na busca por terapias mais eficazes.








