O Wegovy, medicamento desenvolvido para o tratamento da obesidade e que já é conhecido na sua versão injetável, agora conta com uma nova apresentação em comprimido. Este formato oral do medicamento, que é uma variação do Ozempic, recebeu autorização para venda no Reino Unido e também está disponível nos Estados Unidos. No Brasil, no entanto, ainda não há uma data definida para a sua chegada.
A fabricante Novo Nordisk já protocolou um pedido de registro do Wegovy em comprimidos (semaglutida oral 25 mg) junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O requerimento, no entanto, ainda está sob análise. A Anvisa realiza uma avaliação detalhada dos dados de qualidade, segurança e eficácia de novos medicamentos antes de permitir a sua comercialização no país.
De acordo com o endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte, que preside a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo (SBEM-SP), a principal inovação trazida pelo comprimido não é necessariamente a superação dos resultados da versão injetável, mas sim a oferta de uma alternativa de tratamento. “A pílula do Wegovy não é mais eficaz do que a injeção — ela é igualmente eficaz, e esse é exatamente o ponto. Pela primeira vez, um remédio para obesidade em comprimido entrega o mesmo resultado que as famosas canetas semanais”, explica.
Tanto a versão injetável quanto a oral do Wegovy contêm semaglutida, uma substância que simula a ação do hormônio GLP-1, produzido pelo intestino após as refeições. O funcionamento do medicamento se dá pelo aumento da sensação de saciedade, redução do apetite e retardamento do esvaziamento gástrico, fatores que contribuem para a diminuição da ingestão alimentar. O tratamento deve ser complementado com uma alimentação balanceada e a prática regular de exercícios físicos.
Duarte destaca que a formulação do comprimido utiliza uma tecnologia conhecida como SNAC, ou salcaprozato de sódio, que protege a semaglutida no estômago e facilita sua absorção. “É como se o SNAC atuasse como um ‘guarda-costas’ para a semaglutida, garantindo que ela chegue intacta à corrente sanguínea”, acrescenta o especialista.
A eficácia do comprimido foi evidenciada no estudo clínico OASIS 4, que acompanhou adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições relacionadas ao peso durante um período de 64 semanas. Os resultados mostraram que os participantes que seguiram o tratamento adequadamente apresentaram uma perda média de peso de 16,6%. Já a análise geral dos participantes indicou uma redução média de aproximadamente 13,6%. Durante o estudo, todos os participantes receberam orientações para manter uma dieta hipocalórica e aumentar a atividade física. Os resultados obtidos são considerados semelhantes aos alcançados com a versão injetável, embora comparações entre estudos diferentes devam ser feitas com cautela.
O endocrinologista ressalta que a nova apresentação em comprimido pode ampliar as opções de tratamento para pessoas que evitam ou têm dificuldades com injeções. “Isso significa que milhões de pessoas que não usavam o tratamento por medo de agulha, por dificuldades logísticas ou por preferência pessoal agora têm uma opção real. Na medicina, quando o efeito é o mesmo e a adesão ao tratamento melhora, os resultados para os pacientes — e para a saúde pública — tendem a ser mais positivos”, conclui Duarte.






