A aguardada sequência de “Da Magia à Sedução”, intitulada “Feitiço de Amor”, chega aos cinemas em 10 de setembro, marcando quase três décadas desde o lançamento do filme original. O novo capítulo busca equilibrar a nostalgia de um clássico amado com uma renovação estética e narrativa, embora enfrente o desafio de atender às expectativas de uma audiência que cresceu junto com a franquia. O resultado, embora repleto de emoções e carisma, apresenta momentos de excesso e uma tentativa de aprofundar uma mitologia que, por vezes, parece dispersa.
A trama de “Feitiço de Amor” avança ao explorar as consequências intergeracionais da maldição que assola a família Owens. Quando a Tia Jet, personagem de Stockard Channing, recebe um presságio que indica sua mortalidade iminente, e o namorado de Kylie, interpretada por Joey King, entra em um coma místico, a família Owens precisa atravessar o oceano rumo à Europa. O objetivo é investigar uma magia mais obscura na esperança de quebrar a sina que condena qualquer homem que se apaixone por uma mulher da linhagem a uma morte certa. A narrativa tenta aprofundar o universo do filme, mas, ao mesmo tempo, tenta equilibrar múltiplas tramas — desde a expansão da mitologia até as crises pessoais de Kylie e Antonia, interpretada por Maisie Williams.
Tecnicamente, uma das mudanças mais perceptíveis está na estética visual. A direção optou por abandonar a fotografia quente, caracterizada por tons amanteigados e aconchegantes do final dos anos 1990, em favor de uma atmosfera mais fria e melancólica. Essa mudança reflete a urgência e o peso do luto que permeiam o roteiro, embora, aliada a uma duração superior a duas horas, acabe prejudicando o ritmo do filme. A tentativa de desenvolver várias histórias simultaneamente resulta em uma narrativa que, por vezes, não consegue dar o devido aprofundamento às personagens mais jovens, especialmente às filhas Kylie e Antonia, dificultando a construção de um vínculo mais sólido entre elas.
Por outro lado, o elenco principal mantém uma força notável, especialmente a química entre Sandra Bullock e Nicole Kidman. As duas protagonistas carregam o filme com uma naturalidade que parece congelar o tempo, entregando atuações que transmitiram a dignidade e a vivacidade necessárias para sustentar a narrativa. O suporte de Stockard Channing e Dianne Wiest também se destaca, oferecendo uma âncora emocional que evita que a trama se perca em meio às fantasias europeias. Embora Joey King e Maisie Williams entreguem boas performances, elas acabam ficando em segundo plano diante das protagonistas, o que compromete o desenvolvimento de suas personagens.
“Feitiço de Amor” é uma produção marcada por forte nostalgia, combinada com elementos de comédia e momentos de grande emoção. A história reflete as cicatrizes deixadas pelo tempo nas personagens, mas mantém uma mensagem forte sobre o poder da união feminina, que se mostra imbatível mesmo após tantos anos. Para os fãs do filme original, a obra oferece uma experiência satisfatória, com uma abordagem que valoriza o legado da franquia. A recepção indica que a produção é uma das mais interessantes do cinema em 2026, especialmente pelo seu apelo emocional e pela atuação de um elenco de peso.









