A franquia de horror “Sobrenatural”, que há mais de 15 anos conquista fãs do gênero, retorna às telonas com o filme “Sobrenatural: Agora Entre Nós”. A nova produção acompanha a história de Gemma, interpretada por Amelia Eve, uma mãe que, ao retornar à casa de sua infância para criar a filha, descobre possuir a habilidade de viajar até o além. Essa capacidade, por sua vez, abre portas para que entidades malignas invadam a nossa realidade, transformando o mundo em um ambiente permeado por forças demoníacas. O filme marca a estreia do diretor Jacob Chase na franquia, uma oportunidade que ele descreve como um sonho realizado, embora tenha exigido que ele enfrentasse seus próprios medos pessoais.
Em entrevista ao portal UOL, Chase explicou que sua abordagem para o filme foi buscar o medo no cotidiano, ao invés de focar apenas no sobrenatural distante. Segundo o cineasta, o terror foi extraído de situações comuns, como uma ida ao consultório médico ou brincadeiras infantis, elementos que ele acredita serem mais relacionáveis ao público. Chase revelou que sua própria experiência com medos pessoais, como o receio de dentistas e de travesseiros, facilitou a criação de cenas aterrorizantes. “Foi muito fácil fazer a sequência do dentista ser assustadora, porque tenho um medo absoluto de dentistas. O mesmo vale para o forte de travesseiros, que era um pilar da minha infância”, afirmou. Essa estratégia de explorar medos pessoais ajuda a aprofundar a conexão emocional do espectador com o filme.
A carga dramática de “Agora Entre Nós” também é influenciada pela experiência pessoal de Chase, que, durante o desenvolvimento do projeto, enfrentava a expectativa da chegada do seu primeiro filho, já que sua esposa estava grávida de sete meses na época. Essa situação de ansiedade e expectativa foi canalizada para a construção da personagem Gemma, cuja luta para evitar os pecados do passado de sua mãe reflete, de certa forma, o próprio medo de Chase de se tornar pai. O diretor comentou que essa conexão emocional tornou a narrativa mais intensa e assustadora, pois, segundo ele, o envolvimento pessoal com o personagem aumenta a carga dramática da história.
A participação de Lin Shaye, atriz considerada o coração da franquia “Sobrenatural”, foi fundamental para o filme. Além de sua atuação, Shaye colaborou ativamente na elaboração do roteiro, contribuindo para a construção do universo narrativo. Chase destacou que sua presença na produção elevou a sensação de autenticidade do filme, reforçando a conexão com a franquia. O diretor também ressaltou o apoio de James Wan, criador da série e uma figura de destaque no horror contemporâneo. Wan, segundo Chase, foi fundamental ao oferecer orientações valiosas e permitir que o diretor explorasse sua própria visão criativa, sem impor um estilo próprio do arquiteto da franquia.
Inspirado por clássicos do gênero, como “O Chamado” (versão de Gore Verbinski), “Poltergeist” e “Invocação do Mal”, Jacob Chase afirmou que o filme apresenta um desfecho feito por um fã para outros fãs de horror. Sua abordagem busca manter a essência do universo “Sobrenatural”, ao mesmo tempo em que traz elementos pessoais e referências que reforçam a autenticidade e o impacto emocional da narrativa.






