Roberta Rodrigues assume o papel principal na série “Verônika com K”, nova produção de drama jurídico-policial que estreia nesta quinta-feira (22) no Globoplay. A atriz, que retorna ao protagonismo após cinco anos, período marcado por sua denúncia de racismo nos bastidores da novela “Nos Tempos do Imperador”, afirma que a obra é revolucionária por promover uma representação mais ampla de pessoas negras na televisão brasileira.
A narrativa acompanha Verônika, uma advogada criminalista de origem periférica que deixou o Morro de São Jerônimo após uma tragédia familiar e construiu uma carreira de destaque na cidade. A trama se intensifica quando ela é confrontada com a prisão de seu mentor, sob suspeita de corrupção, e recebe a proposta para defender Rod, um antigo amor e líder do tráfico local. A situação se complica com a presença de Cristiano, amigo de infância de Verônika que se tornou policial dedicado e rival de Rod, empenhado em sua prisão.
Roberta Rodrigues destacou a importância da série ao afirmar que ela representa um avanço na visibilidade de personagens pretos em posições de destaque no audiovisual nacional. Segundo ela, “é a primeira vez que, no audiovisual brasileiro, a gente vai poder ver pessoas pretas em lugares totalmente que ninguém nunca imaginou ver”. A atriz também ressaltou que a história aborda relações humanas, força e vulnerabilidade de seus personagens, incluindo mulheres e homens fortes, juventude, amor e alegria. Ela enfatizou que a série retrata diferentes experiências femininas, como uma mãe solo, uma avó que cuida da neta, uma mulher que sustenta sua família e uma que perdeu um grande amor, refletindo a complexidade da vida.
Durante o lançamento da série, realizado em um teatro no Rio de Janeiro, Roberta recebeu uma ovação de pé e se emocionou ao discursar. Ela contou com a presença de familiares, amigos e de sua filha, Linda Flor, de 9 anos. Em seu discurso, Roberta exaltou o bairro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, onde cresceu, e o projeto Nós no Morro, responsável por capacitar atores em comunidades há mais de 40 anos. Questionada sobre o tempo de espera para conquistar um papel de protagonista, ela afirmou que as oportunidades chegam no momento certo. Completando 45 anos no dia do lançamento, Roberta destacou a importância de sua trajetória, incluindo sua vitória na justiça contra a Globo, motivada por um processo por racismo e assédio moral envolvendo o diretor artístico Vinícius Coimbra, que resultou na demissão do profissional em 2022 e na indenização de R$ 500 mil, valor que ela recorreu para aumentar.
A série, gravada em 2023, apresenta cenas que exploram a favela, violência, sexo e conflitos judiciais. No episódio piloto, há confrontos entre Verônika e o promotor André Fraga, interpretado por Marcelo Serrado, além de uma relação sexual entre eles. As sequências no tribunal destacam a competência da advogada, que se mostra reconhecida por seu talento. Um momento marcante é a morte do irmão de Verônika, baleado na juventude na entrada da favela, retratada com a atriz Meg Moreira na infância e Ronald Sotto na juventude. O personagem Rod, vivido por Guthierry Sotero na juventude e Dhério Chagas na fase adulta, simboliza a ascensão de uma família negra, que vive com a mãe, Glória, interpretada por Maria Ceiça, e a filha, Kenya, de Emmy Neves. Essas cenas reforçam o objetivo da personagem principal de garantir melhores condições de vida para sua família, motivação que a leva a deixar o morro após a morte do irmão, mudando-se para a Baixada Fluminense.
A produção é vista como um avanço na representação de famílias negras e suas histórias, contribuindo para ampliar a diversidade no audiovisual brasileiro e promover o empoderamento de jovens e mulheres de comunidades periféricas.








