Durante sua missão em Marte, o rover Perseverance, da Nasa, identificou partículas de poeira marciana extremamente pequenas. Algumas têm cerca de 100 nanômetros, o equivalente a aproximadamente 700 vezes menos do que a espessura média de um fio de cabelo humano. Os dados podem contribuir para o desenvolvimento de trajes espaciais mais resistentes e seguros para futuras missões tripuladas ao planeta.
Os resultados da análise foram publicados em 27 de outubro nos Anais da Academia Nacional de Ciências, conhecidos pela sigla PNAS. Segundo a Nasa, parte das partículas apresenta dimensões tão reduzidas que pode penetrar nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, o que aumenta a importância de compreender como esse material se comporta durante a exploração da superfície marciana.
A investigação também está relacionada aos desafios enfrentados pela exploração espacial desde as missões Apollo, realizadas na Lua. Naquela época, a poeira lunar causou danos a componentes dos trajes espaciais, incluindo arranhões nas viseiras, desgaste das camadas externas e deterioração de vedações. Alguns tripulantes ainda relataram sintomas semelhantes aos da febre do feno, uma reação inflamatória que afeta as vias aéreas superiores.
Em comunicado sobre a descoberta, Lindsay Hays, diretora interina da Divisão de Ciências Planetárias da sede da Nasa, em Washington, afirmou que a poeira continua sendo um obstáculo para a exploração da superfície de outros corpos celestes. De acordo com ela, as medições obtidas pelo Perseverance podem fornecer informações para que engenheiros e médicos de voo aperfeiçoem projetos antes da chegada dos primeiros astronautas americanos a Marte.
Como parte do estudo, o Perseverance transportou amostras de materiais usados em trajes espaciais. O objetivo era avaliar como esses materiais se comportam quando expostos ao ambiente marciano e ao contato com a poeira. As medições revelaram partículas com menos de 2,5 micrômetros. Para efeito de comparação, um fio de cabelo humano tem aproximadamente 70 micrômetros de largura.
Também foram encontradas partículas ultrafinas com cerca de 100 nanômetros. Essa medida corresponde a uma espessura aproximadamente 700 vezes menor que a de um fio de cabelo humano, evidenciando a escala reduzida do material que pode entrar em contato com os equipamentos e com os astronautas.
A análise indicou ainda que alguns materiais utilizados nos trajes aderem menos à poeira do que outros. Essa diferença poderá orientar a escolha e a fabricação de novos equipamentos, com o objetivo de reduzir o acúmulo de partículas durante as atividades na superfície de Marte.
Além de ajudar no desenvolvimento de trajes mais adequados, os dados podem ser usados para estabelecer limites de exposição à poeira em ambientes fechados, aperfeiçoar hábitos de segurança e desenvolver métodos para remover as partículas depois das atividades de exploração. Dessa forma, as informações coletadas pelo rover contribuem tanto para a proteção dos equipamentos quanto para o planejamento das condições de segurança de futuras missões humanas ao Planeta Vermelho.









