A Polícia Federal identificou R$ 48,5 milhões em pagamentos feitos a sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) por meio de uma suposta folha paralela entre janeiro e outubro de 2025. No mesmo período, os registros oficiais do Portal da Transparência apontaram apenas R$ 2,2 milhões em remunerações destinadas aos integrantes do tribunal. As informações fazem parte da investigação que levou à prisão do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, durante a operação Tomada de Contas.
De acordo com a PF, os recursos eram retirados diretamente das contas do Tribunal de Contas, mas não passavam pelo sistema regular de processamento da folha de pagamento. Os valores eram transferidos por meio de ordens bancárias avulsas e do canal utilizado pelo órgão para realizar pagamentos a fornecedores.
Com esse procedimento, segundo a investigação, os repasses não eram registrados como remuneração dos conselheiros nos dados públicos disponibilizados pelo tribunal. A diferença entre o total identificado pela Polícia Federal e o valor informado oficialmente no Portal da Transparência é um dos pontos centrais da apuração.
Presidente do tribunal aparece com o maior valor
Sérgio Ricardo de Almeida foi o conselheiro que teria recebido o maior volume de recursos no período analisado. Conforme os registros reunidos pela PF, ele movimentou R$ 15,4 milhões em pagamentos ao longo dos dez meses de 2025 considerados na investigação.
Na sequência, aparecem Guilherme Maluf, com R$ 10,6 milhões; José Carlos Novelli, com R$ 8,9 milhões; e Alisson de Carvalho Alencar, que teria recebido R$ 8,1 milhões. Os três foram afastados do cargo por determinação do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Além dos quatro conselheiros citados, os registros analisados pela Polícia Federal também apontam pagamentos a Waldir Teis, Gonçalo Domingos de Campos Neto e Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto. Os três não foram alvo de medidas cautelares no âmbito da operação.
Waldir Teis recebeu, segundo a investigação, R$ 1,5 milhão e assumiu a presidência do TCE-MT após a prisão de Sérgio Ricardo. Gonçalo Domingos de Campos Neto aparece com R$ 3,1 milhões, enquanto Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto teria recebido R$ 2,3 milhões.
A PF classificou a situação dos três conselheiros como “limítrofe” e defendeu o aprofundamento das apurações. O Ministério Público Federal (MPF) também pediu a quebra dos sigilos bancários dos envolvidos, medida que pode permitir a análise detalhada das movimentações financeiras relacionadas aos pagamentos investigados.
Investigação começou após denúncia sobre fornecedores
A apuração teve início a partir de uma denúncia anônima segundo a qual fornecedores do Tribunal de Contas precisavam devolver parte dos valores recebidos a pessoas ligadas ao grupo da presidência do órgão. A partir dessa informação, os investigadores passaram a examinar os pagamentos realizados pelo TCE-MT e a forma como os recursos eram transferidos.
O inquérito também identificou repasses de emendas parlamentares ao tribunal. Em 2025, o órgão recebeu R$ 50 milhões, dos quais R$ 39,1 milhões foram registrados como indenizações. Até o momento, a investigação não atribui irregularidades a deputados. A Polícia Federal ainda apura a destinação e a utilização desses recursos.









