As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como Midterms, serão realizadas nesta terça-feira (3) e definirão a composição do Congresso na segunda metade do mandato do presidente Donald Trump. Embora as expectativas apontem para um possível avanço dos democratas, ainda não há segurança sobre qual partido ficará com o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Fatores ligados ao mapa eleitoral, ao comportamento dos eleitores e ao desempenho das pesquisas podem favorecer os republicanos, enquanto a impopularidade de Trump e a insatisfação econômica ampliam as chances de um resultado positivo para os democratas.
A votação envolve todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das vagas do Senado. O resultado terá impacto direto sobre a capacidade do governo de aprovar sua agenda nos próximos dois anos, período correspondente à segunda metade do mandato presidencial.
Pesquisas podem não refletir completamente a força republicana
Um levantamento sobre a disputa pelo Senado no Kansas, divulgado pelo The Washington Post na semana passada, foi apontado como exemplo de uma possível vantagem dos republicanos que pode não estar totalmente refletida nas pesquisas. Em estados tradicionalmente republicanos, eleitores do partido tendem a responder menos aos institutos, o que pode levar a uma subestimação do desempenho da legenda.
Esse comportamento não apareceu com a mesma intensidade nas eleições de meio de mandato realizadas durante a era Trump, mas continua sendo considerado uma possibilidade na votação atual. Caso os republicanos tenham uma performance superior à indicada pelos levantamentos, o resultado poderá alterar as projeções sobre o controle do Congresso.
Distribuição das cadeiras torna a disputa pelo Senado mais difícil para os democratas
O mapa eleitoral do Senado também representa um obstáculo para os democratas. Mesmo que o partido tivesse obtido uma margem de 10 pontos percentuais em todos os estados nas eleições de 2024, ainda teria alcançado apenas 49 cadeiras. A explicação está no fato de que muitos dos estados vencidos por Donald Trump possuem histórico de apoio aos republicanos.
Para assumir o controle do Senado, os democratas precisam conquistar pelo menos dois estados que Trump venceu por uma margem de dois dígitos. Essa configuração reduz o espaço para erros e faz com que cada disputa em estados considerados competitivos tenha peso decisivo no resultado nacional.
Maine e Michigan aparecem entre as disputas de maior risco
Os democratas também enfrentam dificuldades para preservar suas cadeiras no Senado no Maine e em Michigan. Embora os candidatos do partido sejam considerados favoritos, eles ainda não conseguiram consolidar uma vantagem ampla sobre os adversários republicanos.
Parte desse cenário está relacionada ao desempenho dos candidatos democratas ao Senado, que não têm apresentado resultados tão favoráveis quanto os nomes da legenda que disputam o governo estadual. A diferença entre as corridas pode influenciar a participação dos eleitores e a capacidade do partido de manter suas posições.
Redesenho dos distritos pode limitar ganhos democratas
Outra variável é a estratégia republicana de redesenhar os distritos eleitorais. A iniciativa, promovida em meados da década, pode ter contribuído para fortalecer a posição do partido na Câmara dos Representantes. Se os republicanos mantiverem a maioria ou conseguirem restringir o avanço democrata, o resultado poderá ser interpretado como uma consequência desse processo de reorganização dos distritos.
Impopularidade de Trump pesa sobre os republicanos
Apesar das vantagens estruturais no Senado, os republicanos enfrentam o desgaste provocado pela baixa popularidade de Donald Trump. O presidente está entre os mais impopulares da história moderna às vésperas de uma eleição de meio de mandato. Segundo a análise, torna-se difícil vencer uma disputa quando o principal representante do partido é rejeitado por uma margem próxima de dois para um.
A avaliação sobre o governo também envolve as principais políticas adotadas por Trump, muitas delas consideradas impopulares, algumas por ampla margem. Se os republicanos obtiverem um desempenho melhor do que o esperado, isso poderá indicar que as ações do presidente não foram suficientes para alterar de maneira decisiva a escolha dos eleitores.
Coalizão eleitoral de 2024 perdeu apoio
Nas eleições de 2024, Trump ampliou seu apoio entre jovens, especialmente homens, eleitores latinos e pessoas que votam com pouca frequência. Pesquisas indicam, contudo, que esses três grupos se afastaram significativamente do presidente desde então.
As tarifas comerciais e a guerra com o Irã também parecem ter prejudicado a posição de Trump entre eleitores brancos sem diploma universitário, grupo que historicamente constitui uma das bases mais consistentes de apoio ao republicano.
Custo de vida e promessas não cumpridas afetam o governo
A inflação elevada durante o governo do ex-presidente Joe Biden foi um dos fatores que contribuíram para a eleição de Trump. O republicano prometeu resolver rapidamente o problema, mas suas políticas teriam agravado as dificuldades econômicas. O presidente chegou a classificar a preocupação com o custo de vida como uma “farsa” e afirmou, incorretamente, que a questão havia sido resolvida.
Trump também prometeu não iniciar guerras, mas os Estados Unidos entraram em conflito com o Irã. Além disso, comprometeu-se a controlar a inflação, que voltou a piorar. Joe Rogan, podcaster que apoiou o republicano em 2024, passou a criticar publicamente essas questões.
As acusações e preocupações relacionadas à corrupção completam o cenário desfavorável. A percepção de que Trump e integrantes de seu governo estariam enriquecendo, assim como a suspeita de uso de cargos públicos para obter vantagens financeiras, pode afetar mais os republicanos do que os democratas. Esse conjunto de fatores será testado nas urnas e poderá definir o equilíbrio de poder no Congresso pelos próximos dois anos.








