A Prefeitura de Belo Horizonte iniciou uma série de ações educativas nas escolas da rede municipal para reforçar a importância da vacinação contra o sarampo e a catapora. A iniciativa ocorre em meio ao aumento dos casos de sarampo nas Américas, incluindo registros no Brasil, e prevê atividades lúdicas com crianças, orientação a pais e educadores e aplicação de vacinas mediante autorização dos responsáveis.
Dados mais recentes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam que mais de 55 mil casos de sarampo foram notificados em 17 países do continente entre janeiro e outubro deste ano. O número é 4,8 vezes maior que o registrado no mesmo período de 2025. No intervalo, 77 pessoas morreram em decorrência da doença na região.
As atividades em Belo Horizonte são conduzidas por atores do grupo de Mobilização Social da Secretaria Municipal de Saúde. Com recursos educativos e ações de interação, as equipes apresentam informações sobre a importância de manter o calendário vacinal atualizado. Durante a programação, também são aplicadas doses da vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, além da vacina contra a varicela, conhecida popularmente como catapora.
A vacinação nas escolas só é realizada para crianças cujos pais ou responsáveis tenham autorizado a aplicação. Para receber as doses, é necessário apresentar a caderneta de vacinação. A medida busca facilitar a atualização do esquema vacinal e identificar possíveis doses pendentes.
“As atividades nas escolas buscam justamente sensibilizar pais, responsáveis e educadores sobre a importância de completar o esquema vacinal das crianças para garantir a imunização efetiva”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Miguel Duarte.
Belo Horizonte não registra sarampo desde 2020
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Belo Horizonte não registra casos de sarampo desde 2020. Mesmo assim, a capital mineira entrou em alerta diante do avanço da doença em diferentes países e da confirmação de infecções em São Paulo.
Atualmente, a cobertura vacinal infantil em Belo Horizonte é de 99,45% para a primeira dose da vacina contra o sarampo e de 86,54% para a segunda aplicação. A diferença entre os percentuais reforça a preocupação das autoridades com a conclusão do esquema de imunização, já que a proteção depende da aplicação das doses previstas.
Em relação à varicela, Belo Horizonte contabilizou 102 casos em 2026. O número representa uma redução de 13% em comparação com o ano anterior, quando foram registrados 118 casos. Entre crianças menores de 1 ano, a cobertura vacinal contra a doença está em 80,97%.
Sarampo provoca alerta em países das Américas
Entre os países da região, a Guatemala registrou o maior número de casos de sarampo nos dez primeiros meses de 2026. Na sequência aparecem México, Estados Unidos, Peru e Canadá. Juntos, os cinco países concentram 99,5% dos casos confirmados no continente.
Também foram registrados casos na Argentina, Belize, Bolívia, Bonaire, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Panamá e Uruguai.
Nos Estados Unidos, uma criança morreu após contrair a doença no estado de Nova York. O óbito foi registrado no condado de Lewis e é o primeiro provocado pelo sarampo no estado em 30 anos. A morte ocorreu durante o pior surto da infecção no país em 35 anos. Entre o início de 2026 e 29 de outubro, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizaram 4.834 casos em 47 estados.
No Brasil, São Paulo confirmou, em julho deste ano, casos de sarampo nos distritos de Vila Maria, Vila Medeiros, Capão Redondo e Jabaquara. A Secretaria Municipal de Saúde informou que os diagnósticos envolveram seis mulheres e cinco homens, com idades entre cinco meses e 53 anos.
A maior parte das ocorrências envolveu bebês menores de 1 ano, que ainda não tinham indicação para receber a vacina conforme o calendário vigente. Também foram identificados casos em crianças de 1 ano. Entre os adultos infectados, apenas um tinha o esquema vacinal completo; dois não haviam sido vacinados e um havia recebido somente uma dose da vacina Tríplice Viral.
Vacinação protege contra formas graves das doenças
O sarampo é uma infecção viral grave e altamente contagiosa. A transmissão ocorre por meio da fala, da tosse ou de espirros. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, acima de 38,5°C, tosse seca, irritação nos olhos, conjuntivite e manchas vermelhas na pele, que geralmente começam no rosto e se espalham pelo corpo.
A doença pode evoluir para complicações como pneumonia, encefalite e até morte, principalmente entre crianças pequenas e pessoas que não estão imunizadas. De acordo com a PBH, pessoas de até 29 anos sem comprovação de vacinação devem receber duas doses da Tríplice Viral. Para adultos de 30 a 59 anos sem registro vacinal, é indicada uma dose. Profissionais de saúde devem receber duas doses, independentemente da idade.
A varicela também é uma doença infecciosa aguda e altamente contagiosa. A transmissão ocorre pelo ar, por gotículas respiratórias ou aerossóis, e pelo contato direto. Os riscos são maiores para adultos, gestantes, recém-nascidos e pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes que vivem com HIV ou fazem tratamento oncológico.
Os principais sintomas da catapora são manchas vermelhas e bolhas pelo corpo, mal-estar, cansaço e febre baixa. Para as crianças, a vacinação contra a doença é feita em duas doses: a primeira aos 15 meses de idade e o reforço aos quatro anos.
As vacinas contra o sarampo e a varicela estão disponíveis nos 154 Centros de Saúde de Belo Horizonte, em postos extras e no Serviço de Atenção à Saúde do Viajante. Informações sobre doenças, horários e endereços dos locais de vacinação podem ser consultadas no Portal da PBH. Crianças devem estar acompanhadas dos pais ou responsáveis no momento da aplicação.








