Atlético e Boca Juniors decidirão a Copa Sul-Americana em 21 de novembro, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, na Colômbia. O palco da final passou por um amplo processo de modernização, que incluiu a instalação de um gramado híbrido com tecnologia utilizada em estádios de grandes competições internacionais.
A partida terá um significado inédito para o futebol colombiano. Desde 2019, quando a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) passou a organizar a decisão da competição em jogo único, a Colômbia ainda não havia recebido uma final da Sul-Americana nesse formato. A escolha de Barranquilla coloca o país pela primeira vez como sede desse modelo de decisão.
O Estádio Metropolitano Roberto Meléndez é utilizado pelo Junior de Barranquilla e também recebe jogos da Seleção Colombiana. Para atender às exigências de eventos de grande porte, a arena foi submetida a uma reforma cujo investimento é estimado em 45 milhões de dólares. Entre as mudanças realizadas, a preparação do campo ganhou destaque pela adoção do sistema de gramado híbrido.
A nova superfície já foi utilizada pelo Junior de Barranquilla e recebeu avaliações favoráveis de atletas e integrantes da comissão técnica. O atacante Teófilo Gutiérrez comentou a transformação e afirmou que o campo passou a ter um “estilo europeu”, em alusão à melhora das condições de jogo e à expectativa de maior fluidez nas partidas.
Campo mantém grama natural e recebe reforço sintético
Embora seja chamado de híbrido, o gramado do estádio continua sendo formado por grama natural. A diferença está na aplicação de fibras sintéticas diretamente no campo, em um procedimento conhecido como stitching, palavra em inglês usada para definir o processo de costura da superfície.
O trabalho foi realizado pela World Sports, empresa dirigida pelo engenheiro agrônomo Fabio Camara. Segundo ele, os filamentos artificiais são inseridos entre 10 e 18 centímetros abaixo do nível da superfície. Aproximadamente 2 centímetros das fibras permanecem acima do solo, enquanto a distância entre os filamentos é de 2 centímetros.
A técnica reforça a chamada zona radicular, área que sustenta as raízes da grama. Com a estrutura fortalecida, o campo ganha estabilidade e tração, além de apresentar maior resistência ao uso contínuo. Outro benefício é a capacidade de recuperação mais rápida após partidas e outros eventos realizados no estádio.
Fabio Camara explica que a instalação das fibras não transforma a área de jogo em uma superfície predominantemente sintética. “No processo de stitching, os gramados naturais recebem a costura de fibras sintéticas diretamente no campo, tornando-se híbridos. No entanto, a superfície continua sendo 100% de grama natural”, afirmou.
O sistema também interfere no escoamento da água. As fibras criam caminhos que favorecem a infiltração no solo, característica importante em Barranquilla durante períodos de chuvas intensas. A drenagem mais eficiente ajuda a preservar as condições do campo e pode reduzir os impactos da água sobre a realização das partidas.
De acordo com o engenheiro agrônomo, a tecnologia mantém a aparência, a textura e as características de jogo associadas a um gramado natural, mas acrescenta maior durabilidade e estabilidade à estrutura. A combinação é considerada especialmente adequada para locais que recebem partidas de alto nível e precisam suportar utilização frequente.
Modelo está presente em estádios de grandes competições
O gramado híbrido também foi utilizado nos principais estádios da Copa do Mundo de 2026. Além disso, a Fifa determinou a adoção desse tipo de superfície nas arenas que receberão jogos da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil.
No futebol brasileiro, o Maracanã está entre os estádios que utilizam o modelo. A Neo Química Arena, casa do Corinthians, também conta com a tecnologia e foi o primeiro projeto do país a receber um gramado híbrido instalado pelo método stitching, em 2013.
A World Sports participou ainda de projetos em estádios relacionados à Copa do Mundo de 2026. Entre eles estão o Estádio Akron e o Estádio Azteca, no México, e o Levi’s Stadium, nos Estados Unidos. A estrutura instalada no estádio de Barranquilla segue, portanto, um padrão voltado à resistência, à regularidade da superfície e à manutenção da qualidade do jogo em partidas de alto nível.









