O Observatório Neil Gehrels Swift, equipamento espacial da Nasa dedicado à observação de fenômenos de alta energia, reentrou na atmosfera terrestre na quarta-feira (4/11), sobre a região de Sumatra do Norte, na Indonésia. A agência espacial dos Estados Unidos confirmou o encerramento da missão na tarde do mesmo dia. Lançado em 2004, o telescópio permaneceu aproximadamente 20 anos em operação no espaço.
De acordo com informações da Força Espacial dos Estados Unidos, a passagem do Swift pela atmosfera ocorreu às 9h39, no horário de Brasília. A estrutura do observatório tinha cerca de 1,5 tonelada, mas a Nasa estima que a maior parte do equipamento tenha sido destruída pela intensa passagem atmosférica. Ainda assim, a agência considera possível que pequenos fragmentos tenham suportado o processo de reentrada.
Até a divulgação das informações sobre o fim da missão, a Nasa não havia confirmado se alguma parte do observatório chegou à superfície terrestre. Dessa forma, permaneceu sem definição o destino de eventuais componentes que tenham resistido à desintegração durante a queda.
Tentativa de prolongar a missão não alterou a órbita do Swift
A reentrada ocorreu depois que uma operação de resgate não conseguiu modificar a trajetória do telescópio. A iniciativa foi realizada em parceria com uma empresa privada e tinha como objetivo elevar a órbita do Swift. Com o equipamento em uma altitude maior, seria possível tentar prolongar seu funcionamento e manter as observações científicas por mais tempo.
Para executar a operação, a empresa norte-americana Katalyst Space Technologies lançou, em 3 de julho, a espaçonave LINK. O plano previa que o veículo se aproximasse do Swift e realizasse o acoplamento utilizando três braços robóticos. Depois da conexão, a LINK deveria aplicar um impulso para conduzir o observatório a uma órbita mais elevada.
A missão, porém, não chegou à etapa de transferência orbital. Problemas nos sistemas de propulsão e de orientação da espaçonave impediram a conclusão do procedimento previsto. A LINK conseguiu apenas se aproximar do telescópio e produzir imagens do observatório enquanto os dois equipamentos estavam no espaço.
Sem a elevação da órbita, o Swift continuou sujeito ao arrasto atmosférico. Essa força reduz gradualmente a altitude de objetos que orbitam a Terra e, com o tempo, os conduz de volta às camadas mais densas da atmosfera. Como não contava com propulsores próprios, o telescópio não tinha meios de compensar esse efeito, recuperar altitude ou se afastar novamente do planeta.
Observatório acompanhou explosões de raios gama
O principal objetivo científico do Swift era investigar as explosões de raios gama, conhecidas pela sigla GRBs. Esses eventos estão entre os fenômenos mais energéticos do Universo e constituíram o foco central das observações realizadas pelo telescópio ao longo de sua missão.
Com o passar dos anos, contudo, o observatório ampliou o escopo de suas atividades. Além das GRBs, o Swift acompanhou explosões de supernovas e observou diferentes objetos astronômicos, incluindo asteroides, cometas e buracos negros. O instrumento também realizou um levantamento completo do céu na faixa dos raios X.
Os registros obtidos durante as duas décadas de trabalho continuaram sendo utilizados em estudos científicos. Segundo a Nasa, os dados produzidos pelo observatório contribuíram para aproximadamente 7 mil artigos científicos, número que demonstra o alcance da missão para a pesquisa de fenômenos espaciais.
Com a reentrada sobre Sumatra do Norte e a provável desintegração da maior parte de sua estrutura, terminou a trajetória do observatório Neil Gehrels Swift, lançado pela Nasa em 2004 e mantido em atividade por cerca de 20 anos.








