A britânica Lillie Thorne, de 22 anos, precisou passar a depender de cuidados em tempo integral depois que uma série de sintomas neurológicos evoluiu rapidamente. Em poucos dias, ela deixou de conseguir falar e andar e começou a apresentar até 30 convulsões por dia. Após ser submetida a exames e avaliações durante uma internação, a jovem recebeu o diagnóstico de transtorno neurológico funcional (TNF).
Lillie mora em Barrow-in-Furness, na Inglaterra, e trabalhava como auxiliar de saúde. De acordo com a família, ela era saudável, tinha boa condição física, gostava de viajar e havia voltado recentemente de uma viagem à Turquia com parentes. O passeio ocorreu algumas semanas antes do aparecimento dos primeiros sinais.
Os sintomas começaram em 2 de outubro de 2026. No dia anterior, 1º de outubro, Lillie havia passado o dia limpando uma casa recém-reformada. Ela foi dormir sem alterações aparentes, mas acordou incapaz de movimentar o lado esquerdo do rosto. A hipótese inicial levantada pelos médicos foi a de paralisia de Bell, que pode provocar fraqueza ou perda temporária dos movimentos de um dos lados da face.
Como parte do tratamento, a jovem recebeu corticoides. Na ocasião, foi informada de que a recuperação poderia levar até seis meses. No entanto, já no dia seguinte, a fala de Lillie ficou arrastada, o que fez com que ela procurasse novamente atendimento hospitalar.
Uma tomografia não identificou sinais de acidente vascular cerebral (AVC). Diante da evolução dos sintomas, os profissionais também consideraram a possibilidade de síndrome de Ramsay Hunt, uma doença relacionada ao herpes-zóster que pode causar paralisia facial. Por esse motivo, Lillie recebeu um medicamento antiviral.
Mesmo após as medidas adotadas, o estado da jovem continuou a se agravar. Em 7 de outubro, ela já não conseguia falar nem caminhar. Pouco depois, começaram as convulsões, que chegaram a ocorrer até 30 vezes em um único dia. Durante a internação, novos exames e avaliações neurológicas foram realizados até que a equipe concluísse que os sintomas eram compatíveis com o transtorno neurológico funcional.
Transtorno afeta o funcionamento das redes cerebrais
O TNF está relacionado à forma como funcionam as redes do cérebro responsáveis por controlar movimentos, sensações, fala e consciência. A condição pode ocorrer mesmo quando a estrutura cerebral permanece preservada. Nesses casos, o problema está no funcionamento ou na comunicação entre essas redes, o que pode provocar manifestações neurológicas capazes de interferir em atividades básicas do dia a dia.
A causa exata do transtorno neurológico funcional ainda não é conhecida. Segundo os familiares, os médicos avaliam que o estresse associado ao episódio de paralisia de Bell possa ter contribuído para o surgimento do quadro apresentado por Lillie. Essa possibilidade, contudo, não foi confirmada pelos profissionais responsáveis pelo atendimento da jovem.
Lillie recebeu alta em 22 de outubro. Desde então, recuperou a capacidade de falar, embora ainda apresente gagueira e fala arrastada. Ela continua sem conseguir andar e, conforme o relato da família, ainda enfrenta episódios de convulsão.
Após deixar o hospital, a jovem foi encaminhada para sessões de fisioterapia. O objetivo do tratamento é ajudá-la a recuperar a mobilidade e, gradualmente, ampliar sua independência. Enquanto isso, familiares passaram a se revezar no acompanhamento e nos cuidados diários. Alguns parentes precisaram deixar temporariamente o trabalho para auxiliar Lillie, o que aumentou as dificuldades financeiras enfrentadas pela família.
Uma campanha de arrecadação foi criada para ajudar a cobrir os custos do tratamento e da rotina de cuidados. O dinheiro deverá ser usado para despesas médicas, deslocamentos e suporte aos familiares durante o período em que a jovem permanecer dependente de assistência contínua. O caso foi divulgado por Ashleigh Thorne, tia de Lillie, de 35 anos.









