A Justiça dos Estados Unidos encerrou o processo criminal contra a cientista russa Kseniia Petrova, de 31 anos, acusada de transportar embriões de rã sem declarar o material às autoridades alfandegárias. O juiz federal Leo Sorokin aceitou, na quarta-feira (4), o pedido da promotoria para retirar as acusações de contrabando, ocultação de informações e apresentação de declarações falsas a funcionários do governo.
Com a decisão, todas as acusações relacionadas à entrada das amostras nos Estados Unidos foram arquivadas. Petrova havia permanecido presa por quatro meses depois de retornar ao país de uma viagem de férias na França. O material seria usado na continuidade de pesquisas desenvolvidas por ela na Escola de Medicina de Harvard.
Durante a passagem pela França, a pesquisadora visitou um laboratório especializado na preparação de cortes ultrafinos de embriões de rã. Na ocasião, recebeu um pacote com as amostras que posteriormente levou aos Estados Unidos. Segundo informações da Associated Press, Petrova afirmou que não sabia que precisava declarar o conteúdo à alfândega norte-americana e negou ter cometido contrabando.
Promotoria citou revisão de prioridades no caso
O pedido de arquivamento foi apresentado na noite de terça-feira (3) pela procuradora federal Leah Foley. Em documento encaminhado à Justiça, ela disse que a decisão considerou os desdobramentos do processo e uma reavaliação das prioridades e dos recursos disponíveis no escritório da promotoria.
Foley afirmou que, naquele momento, o custo de manter a ação superava o interesse público em levá-la adiante. A procuradora, no entanto, classificou como infundadas as alegações da defesa de que Petrova teria sido submetida a uma perseguição judicial seletiva e motivada por retaliação.
Indicado pelo ex-presidente Barack Obama, o juiz distrital Leo Sorokin aceitou a solicitação da promotoria no dia seguinte. O magistrado arquivou o caso sem realizar uma audiência, encerrando formalmente o processo criminal contra a cientista.
Na manifestação apresentada à Justiça, Foley também mencionou uma decisão tomada em abril. Naquele momento, o governo foi obrigado a entregar à defesa documentos sobre casos semelhantes, envolvendo passageiros que entraram nos Estados Unidos sem declarar itens transportados.
A determinação permitiu que os advogados de Petrova procurassem evidências de que ela poderia ter recebido tratamento diferente do aplicado a outras pessoas em circunstâncias comparáveis. A procuradora afirmou que o governo tinha a obrigação de fornecer essas informações independentemente da natureza dos itens transportados ou da existência de suspeitas de fraude.
Defesa alegou irregularidades na condução do processo
A situação migratória da pesquisadora começou a mudar em abril, quando outro juiz federal concluiu que um agente da alfândega havia cancelado indevidamente o visto de Petrova por causa do episódio envolvendo os embriões. Antes dessa decisão, ela temia ser deportada para a Rússia, país para o qual dizia não querer retornar por receio de ser presa.
Os advogados também sustentaram que as acusações criminais tinham caráter retaliatório. Segundo a defesa, o governo só apresentou a denúncia quando percebeu que poderia perder a disputa judicial relacionada à permanência da cientista nos Estados Unidos.
Os representantes de Petrova argumentaram ainda que era incomum apresentar acusações criminais contra uma pessoa por uma conduta como a atribuída à pesquisadora. Em comunicado, o advogado Daniel Marx comemorou o encerramento do caso e criticou o Departamento de Justiça por ter iniciado o processo.
“O Departamento de Justiça jamais deveria ter instaurado este processo altamente incomum de ‘contrabando’ contra Kseniia Petrova, uma cientista talentosa de Harvard”, declarou Marx.
O advogado também afirmou que o material transportado não representava risco à população. De acordo com ele, Petrova pretendia contribuir para estudos médicos relacionados ao envelhecimento, e as amostras eram embriões de rã inertes, não vivos e não tóxicos.
Órgão de segurança havia defendido a detenção
Apesar das alegações da defesa, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos defendeu, no início de 2026, que Petrova continuasse sob custódia. O órgão sustentava que a cientista havia mentido a agentes federais ao ser questionada sobre os embriões.
Com a decisão de Leo Sorokin, porém, nenhuma das acusações criminais permaneceu ativa. O arquivamento encerra a ação relacionada ao transporte das amostras e põe fim ao processo judicial que manteve Kseniia Petrova detida por quatro meses.







