Por Oliveira Lima
Um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro vive o seu maior inferno astral da sua tão gloriosa carreira. Ganhou tudo na vida, claro menos Copa do Mundo, algo que só é permitido à poucos ungidos do planeta futebol. Tite jamais poderia imaginar que passaria por tamanha provação, dirigindo um clube como o Cruzeiro, uma das maiores estruturas do futebol da América do Sul. Depois de sete anos à frente da Seleção Brasileira, duas Copas do Mundo de forma consecutiva, privilégio que só ele e Telê tiveram, uma curta e turbulenta passagem pelo Flamengo e um ano de descanso para cuidar da saúde mental, Tite anunciou sua volta à clube, se dizendo sedento dos desafios do insano futebol brasileiro.
Mas não imaginava ele que esses desafios fossem tão grandes como os que lhe foram apresentados até então. Chega ao Cruzeiro com um elenco já pronto desde o ano passado, pelo mágico treinador português Leonardo Jardim e com uma grande contratação, o meia Gerson, até então a maior do futebol brasileiro . E o principal, um Cruzeiro saneado pelo dinheiro que seu dono.
E tinha (ou ainda tem?) tudo para dar certo, mas por enquanto não deu. Primeiro e grande empecilho é o tempo de preparação, que não existe no calendário desumano do futebol brasileiro, engolido pelo excesso de jogos e competições. Segundo, e o principal, o desafio que Tite tem de pegar um time pronto, mas que não é o dele. Ou seja: a identidade do time é do seu antecessor, Leonardo Jardim. O desafio é colocar a identidade sua com a bola rolando. Tite é completamente diferente de Jardim. Para que haja essa mudança radical é preciso tempo e tempo é algo que o futebol brasileiro não proporciona aos seus treinadores.
E com essa cultura de “perdeu é demitido”, nuvens sombrias pairam sobe a cabeça de Tite. Os resultados em campo não aparecem e a cobrança de todos os lados massacra a paz do treinador e dos jogadores, que atuam sob forte pressão. Esse momento é o pior da rica carreira do técnico cruzeirense: lanterna do Brasileirão e hoje fora da zona de classificação às semifinais de um mísero campeonato mineiro. Tite passou apenas duas vezes por inferno parecido com o hoje. foram no Inicio dos anos 2000 dirigindo Corinthians e depois o Palmeiras, mas nada parecido com a dramaticidade atual.
São ao todo 8 jogos, 6 do Mineiro e 2 do Brasileiro, com 5 derrotas e somente 3 vitórias: Começou com os reservas/sub 20 perdendo para o Pouso Alegre, mas se redimiu diante do Tombense. Titulares golearam o Uberlândia na sequência. Assim com 3 jogos, 2 vitórias e 1 derrota estava no script. O problema veio depois: 5 jogos, com penas 1 vitória e 4 derrotas, algo impensável antes: Ainda com os reservas perdeu (e de forma imerecida) para o Democrata e na sequência, com os titulares, perdeu o clássico para o Galo, tomou goleada do Botafogo, suou sangue pra ganhar do Betim e por último perdeu do Coritiba.
E na sequência precisa ganhar do América para poder continuar sonhando com vaga à semifinal do Mineiro. Se acontecer novo desastre, fica insustentável a permanência de Tite no Cruzeiro. E muito também pela total rejeição da torcida, que assim como o calendário do futebol brasileiro, é zerada em termos de paciência.








