A Polícia Civil está investigando uma série de furtos de carrinhos de supermercado em Belo Horizonte. Só na última semana, 120 desses carrinhos foram apreendidos em operações no Centro e no Complexo da Lagoinha, na região Noroeste da capital. Eles estavam com pessoas em situação de rua, mas ninguém foi preso — segundo a corporação, não foi possível identificar os responsáveis pelos furtos.
As investigações tiveram início depois que a Associação Mineira de Supermercados (Amis) apresentou uma queixa-crime, denunciando o que chamou de práticas reiteradas de furto contra os estabelecimentos. Uma grande rede estadual informou ter perdido R$ 3,5 milhões somente em 2025 com o desaparecimento de 8,5 mil carrinhos, a maioria deles em Belo Horizonte. O modo de agir costuma ser o mesmo: os carrinhos são levados dos estacionamentos, onde ficam depois que os clientes os utilizam e deixam no local.
Os equipamentos recolhidos na semana passada foram encaminhados a unidades da Polícia Civil. Aqueles que ainda traziam a identificação do supermercado de origem começaram a ser devolvidos.
Procurado para comentar o fato de muitos carrinhos servirem de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade, que os usam para transportar pertences, o delegado-geral Rômulo Guimarães Dias afirmou que a atuação da polícia é “exclusiva para apurar ações penais”. Ele destacou que nenhum objeto pessoal de quem estava com os carrinhos foi recolhido durante as operações.
O delegado fez questão de separar as apreensões do projeto de lei aprovado em segundo turno pela Câmara Municipal no último dia 7. O texto obriga a prefeitura a desobstruir vias públicas sempre que a circulação de pedestres ou veículos for prejudicada. A proposta gerou polêmica: vereadores contrários à medida alegam que, na prática, ela incentiva a remoção de pertences de pessoas que vivem nas ruas. Rômulo Dias reforçou que as operações com os carrinhos não têm qualquer relação com esse debate.








