A deputada estadual Ione Pinheiro, do partido União, recebeu, nesta terça-feira, 8 de outubro, um parecer favorável da comissão especial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais que está conduzindo a sabatina para o cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A comissão, composta exclusivamente por deputadas e presidida por Lohanna França, do PV, agora encaminhará sua recomendação para votação em plenário.
Desde a criação do TCE em 1935, ao longo de 91 anos, apenas uma mulher, Adriene Barbosa de Faria Andrade, ocupou uma das 52 cadeiras de conselheiro. Adriene, que era esposa do ex-vice-governador Clésio Andrade, foi indicada pelo governador Aécio Neves, na época, em 2006. Ela faleceu em 2018, e desde então, não houve outra mulher eleita para o cargo.
A Constituição do Estado de Minas Gerais, promulgada em 1989, estabelece que a Assembleia Legislativa é responsável por eleger e indicar quatro dos sete conselheiros do TCE para nomeação pelo Executivo. Até o momento, a Assembleia não havia escolhido uma mulher para essa posição, e a indicação de Ione Pinheiro pode marcar uma mudança histórica nesse contexto.
Atualmente, três vagas de conselheiros estão abertas na legislatura, em decorrência das aposentadorias de Wanderley Ávila e José Alves Viana, que ocorrerão em 2024, e de Mauri Torres, prevista para abril de 2025. A primeira vaga já foi preenchida por Alencar da Silveira, que assumirá em 2025.
O presidente da Assembleia, Tadeu Leite, do MDB, foi eleito em 4 de março, mas sua posse ocorrerá apenas no final deste ano. Durante o processo de indicações, diversas candidaturas foram apresentadas, mas articulações lideradas por Tadeu Leite ajudaram a formar consensos, evitando disputas acirradas no plenário. Para a terceira vaga, Ione Pinheiro enfrentou a concorrência de outros candidatos, incluindo Tito Torres (PSD), Thiago Cotta (PDT), Sargento Rodrigues (PL), Ulysses Gomes (PT) e Dr. Wilson Batista (PSD), que já havia demonstrado interesse na posição desde 2025.
Embora a expectativa fosse de uma competição intensa, uma articulação bem estruturada, com a participação significativa de Ulysses Gomes, levou à convergência dos apoios em favor de Ione Pinheiro. A deputada, que está em seu terceiro mandato, possui 60 anos e é reconhecida por sua habilidade em dialogar com representantes de diversas ideologias na Assembleia, o que pode ter contribuído para sua crescente aceitação entre os colegas.
A possibilidade de Ione Pinheiro se tornar a primeira mulher a integrar o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais representa um marco importante na história da Assembleia e na luta pela igualdade de gênero em posições de poder no estado. A votação em plenário, que se aproxima, será um momento decisivo para a confirmação dessa histórica indicação.









