O senador Flávio Bolsonaro declarou nesta quinta-feira (9) que espera contar com a colaboração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026, minimizando os desentendimentos recentes entre eles, em meio a uma crise interna no Partido Liberal (PL). A afirmação foi feita durante sua chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após uma viagem aos Estados Unidos.
As declarações de Flávio surgem em um momento de especulações sobre um possível desgaste nas relações entre ele e Michelle. Nos bastidores do PL, aliados da ex-primeira-dama têm afirmado que ela mantém um contato regular com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e que não pretende apoiar publicamente a candidatura de seu enteado. Fontes próximas a Michelle indicam que ela deve priorizar o acompanhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar devido a problemas de saúde.
Apesar da aparente diminuição de sua agenda política, líderes do PL continuam a trabalhar para convencê-la a se candidatar a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. A avaliação dentro do partido é que essa candidatura poderia ser conciliada com a necessidade de Michelle de estar próxima de Jair Bolsonaro.
Flávio também abordou sua recente viagem aos Estados Unidos, onde discutiu a decisão do ex-presidente Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O senador relatou que se reuniu com membros do governo americano para tentar evitar a implementação da medida e voltou a responsabilizar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela crise nas relações comerciais entre os países.
“A gente tem sempre que tentar entender quais são os fatores que podem influenciar uma tomada de decisão do presidente dos Estados Unidos. Fiz a minha parte. Não vi nenhum representante sequer do governo brasileiro para defender o Brasil e os interesses da nossa nação, porque, claramente, a única pessoa que quer essa tarifa no Brasil é o Lula”, afirmou Flávio.
A viagem aos Estados Unidos também representou uma mudança na postura do senador em relação à tarifa. Inicialmente, Flávio defendia que o governo americano adiasse a aplicação da sobretaxa até após as eleições brasileiras de 2026, argumentando que um novo governo poderia rever as relações bilaterais. No entanto, após reuniões com autoridades americanas, ele passou a solicitar o cancelamento da medida, alegando que a tarifa prejudicaria tanto as empresas brasileiras quanto os consumidores dos Estados Unidos.
Essa mudança de posição reforçou as críticas de que Flávio Bolsonaro estaria buscando capitalizar politicamente a questão. O governo brasileiro, por sua vez, tem rebatido as declarações da família Bolsonaro, com o próprio presidente Lula chamando Flávio e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, de “traidores da pátria”. A situação evidencia a tensão política em torno das relações Brasil-EUA e o papel da família Bolsonaro nesse contexto.








