A guerra entre Estados Unidos e Irã ganhou novos desdobramentos nessa quarta-feira (22), com a ampliação das ações militares e do risco de o conflito se espalhar ainda mais pelo Oriente Médio. Além da continuidade dos bombardeios americanos contra alvos iranianos, houve ataques a petroleiros, ameaças entre os dois governos e novos movimentos militares na região.
Confira os principais acontecimentos:
Os Estados Unidos lançaram uma nova série de ataques contra instalações militares iranianas, na 12ª noite consecutiva de bombardeios desde a retomada das hostilidades, em 7 de julho. Segundo o Comando Central americano (Centcom), a operação tem como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações civis e militares que transitam pelas águas do Oriente Médio.
Os rebeldes houthis, do Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram ataques contra dois petroleiros da Arábia Saudita no Mar Vermelho. O grupo afirmou ter atingido as embarcações após anunciar um bloqueio marítimo contra portos sauditas. Em comunicado divulgado no Telegram, os houthis disseram que os navios teriam violado o bloqueio imposto pela organização.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra Teerã ao ameaçar destruir pontes e usinas de energia do Irã caso embarcações sejam atacadas no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que qualquer ofensiva iraniana contra navios na região provocará uma resposta direta dos Estados Unidos.
O governo iraniano reagiu às declarações de Trump e prometeu retaliar qualquer ataque contra suas infraestruturas civis. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que a doutrina de defesa do país é baseada no princípio de “olho por olho” e que qualquer agressão provocará uma resposta “contundente e decisiva”.
O Exército do Kuwait informou ter interceptado drones considerados hostis em seu espaço aéreo. O episódio ocorre após dias de ataques atribuídos ao Irã contra países da região, ampliando o temor de expansão do conflito.
Em meio à escalada militar, Washington e Riade anunciaram um acordo de cooperação em energia nuclear para uso civil. Segundo o governo americano, o entendimento estabelece as bases para uma parceria de longo prazo destinada a fortalecer a infraestrutura energética saudita e ampliar a cooperação estratégica entre os dois países.
Dados de monitoramento marítimo mostram que pelo menos nove navios mercantes retornaram às proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb, dias após os houthis ameaçarem bloquear a navegação com destino à Arábia Saudita. A região é considerada estratégica por ligar o Mar Vermelho ao Canal de Suez, uma das principais rotas do comércio internacional.
O governo iraniano voltou a negar a existência de uma instalação clandestina de enriquecimento de urânio na montanha Kolang, apontada por Donald Trump como um possível alvo de futuros bombardeios. Segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, todas as atividades nucleares do país foram declaradas à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e as acusações dos Estados Unidos servem apenas como justificativa para ampliar as ações militares.









