O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira (24) que o governo federal vai manter as negociações com os Estados Unidos diante da ampliação das tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump. Em entrevista, ele destacou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é permanecer aberto ao diálogo, ao mesmo tempo em que o governo reforça medidas de apoio aos setores brasileiros afetados pelas medidas. A posição é de que a mesa de negociação deve continuar, com o Brasil explicitando que as tarifas são injustas e descabidas.
Alckmin classificou as tarifas como injustas e descabidas e, ao comentar a justificativa norte-americana relacionada ao combate ao trabalho forçado, ressaltou que o Brasil possui uma das legislações trabalhistas mais avançadas do mundo. Segundo o vice-presidente, a medida tarifária também atingiu outras nações, o que reforça a necessidade de manter a interlocução com Washington. “O que o presidente Lula tem destacado? Primeiro, não sair da mesa de negociação. O que depender de nós é continuar na mesa de negociação. Explicitar que é injusto e descabido”, afirmou, reforçando que o Brasil busca um desfecho que minimize impactos sobre a indústria brasileira.
Além da manutenção do diálogo, o governo tem adotado instrumentos de apoio à economia para mitigar os efeitos das tarifas sobre empresas nacionais. Alckmin informou que já foi autorizado um crédito de R$ 18,5 bilhões para apoiar companhias impactadas pela medida, com destinação para capital de giro, investimentos e aquisição de bens de capital. Em síntese, a linha de crédito tem por objetivo manter a produção, preservar empregos e facilitar a recarga de estoques, ao mesmo tempo em que o governo trabalha para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados internacionais.
Medidas de apoio aos setores afetados e estratégias de exportação
O vice-presidente enfatizou a existência de estratégias para ampliar a participação de produtos nacionais em mercados globais, como parte de uma visão mais ampla de diversificação das cadeias de exportação brasileiras. Segundo ele, a diversificação de destinos é essencial para reduzir a vulnerabilidade a choques comerciais concentrados em poucos parceiros. Em termos de desempenho comercial, Alckmin destacou que o Brasil registrou recorde de exportações em 2025, alcançando US$ 349 bilhões, e que o primeiro semestre deste ano também trouxe resultados expressivos, com vendas externas estimadas em US$ 184 bilhões. Esses números, de acordo com o gabinete palaciano, indicam a importância de ampliar mercados e de reduzir dependência de um único conjunto de parceiros comerciais.
Investimento na defesa e programa de fomento ao setor agroindustrial
Durante a entrevista, Alckmin assegurou o compromisso governamental de apoiar a indústria nacional de defesa, citando estimativas de investimentos na ordem de cerca de R$ 30 bilhões para o reequipamento das Forças Armadas. Esse montante, segundo o vice-presidente, faz parte de uma estratégia de fortalecimento da capacidade industrial brasileira em setores estratégicos, com impacto direto na cadeia produtiva do país. Além disso, foi anunciado o início da operação do Move Agro, programa destinado a financiar a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas com juros de 9% ao ano. A iniciativa pretende estimular a modernização do parque produtivo rural brasileiro, aumentando a eficiência e a competitividade do agronegócio nacional, setor fundamental para a balança comercial do país.






