O Partido Liberal (PL) está realizando uma última tentativa de atrair o apoio da federação formada pelo Progressistas (PP) e União Brasil à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, por meio de uma mudança na postura da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Após resistir inicialmente ao convite para integrar a chapa como vice-presidente, ela sinalizou a aliados que aceita participar do projeto, embora a decisão final ainda dependa de negociações entre as duas legendas e o próprio União Brasil.
A movimentação ocorre em um momento em que o PL considera essa mudança como uma oportunidade decisiva para reabrir negociações com a federação, que até então vinha indicando intenção de manter postura de neutralidade na eleição presidencial. A presença de Tereza Cristina na chapa é vista pelos dirigentes do PL como uma estratégia para ampliar o alcance político da candidatura de Flávio Bolsonaro, especialmente no eleitorado feminino, além de fortalecer a ligação com setores do empresariado e do agronegócio, áreas às quais ela é ligada.
A senadora se reuniu na quarta-feira, 29 de julho, com Flávio Bolsonaro para discutir a possibilidade de integrar a chapa. Em nota oficial, a assessoria de Tereza Cristina afirmou que o encontro foi produtivo e que a questão da vice-presidência foi abordada pela primeira vez entre os dois. Segundo informações obtidas pelo portal Metrópoles, na quinta-feira, 30 de julho, ela indicou a aliados que estaria disposta a avançar nas negociações, sinalizando uma mudança de postura em relação à resistência anterior.
Até então, Tereza Cristina tinha manifestado resistência ao convite, principalmente por sua ambição de disputar a Presidência do Senado em 2027 e por acreditar que uma candidatura ao lado de Flávio poderia prejudicar esse objetivo. Ela chegou a se reunir com Valdemar Costa Neto, presidente do PL e um dos principais apoiadores de seu nome para vice, deixando claro que não tinha intenção de participar da chapa. Contudo, com o prazo para as convenções partidárias se aproximando e a possibilidade de Flávio disputar a eleição com uma chapa composta apenas por integrantes do PL — a chamada “chapa puro-sangue” — a pressão por uma reconsideração aumentou.
O principal desafio do PL agora é convencer a União Progressista a abandonar sua postura de neutralidade. No PP, o presidente nacional Ciro Nogueira (PI) vinha demonstrando insatisfação com Flávio Bolsonaro após uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas envolvendo o Banco Master, além de sinalizar que o partido não participaria da candidatura. Com a possível entrada de Tereza Cristina na chapa, Ciro Nogueira iniciou consultas aos diretórios estaduais para avaliar se há espaço para uma mudança de posição, embora a tendência seja manter a neutralidade até a convenção do partido, marcada para 5 de agosto, último dia para a realização das convenções partidárias.
Caso o PP decida apoiar Flávio Bolsonaro, a aliança ainda dependerá do aval do União Brasil, já que ambos os partidos integram uma federação eleitoral. Segundo as regras eleitorais, as legendas precisam agir de forma coordenada e não podem adotar posições diferentes na eleição, o que torna a decisão do União Brasil fundamental para consolidar o apoio.
No âmbito do União Brasil, parte de seus dirigentes manifesta resistência à aliança com Flávio, temendo que eventuais desgastes na campanha presidencial prejudiquem candidatos do partido ao Congresso Nacional. Ainda assim, há uma expectativa de que, se o PP decidir pelo apoio a Flávio, o União Brasil possa seguir essa orientação. O presidente nacional da legenda, Antônio Rueda, deve participar de próximas negociações com Flávio Bolsonaro e o senador Rogério Marinho (RN), coordenador da campanha presidencial do parlamentar.
As negociações precisam ser concluídas até 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias. Caso o apoio da federação seja confirmado, Flávio Bolsonaro deixará o isolamento político e ampliará sua estrutura de campanha, o que impactará diretamente no tempo de propaganda eleitoral gratuita e nas inserções de rádio e televisão.
Nos últimos dias, diante da ausência de avanços nas negociações, cresceu nos bastidores a possibilidade de Flávio disputar a eleição presidencial em uma chapa exclusivamente formada por integrantes do PL, a chamada chapa “puro-sangue”. A expectativa inicial do partido era apresentar a composição completa na convenção que oficializou sua candidatura, realizada em 25 de julho, mas, sem acordo com outras legendas, a definição do vice foi adiada.
Durante a convenção, os dirigentes do PL autorizaram a Executiva Nacional a decidir sobre coligações, indicação do vice-presidente e outros temas relacionados às eleições de 2026. Em nota, Tereza Cristina afirmou que qualquer composição de chapa dependerá de avaliações políticas, pessoais, além de consultas e acordos partidários. Caso nenhuma legenda aceite integrar a chapa até o fim do prazo, a decisão final caberá ao próprio PL, que deverá indicar o vice, com Flávio Bolsonaro tendo a última palavra sobre a escolha.








