O ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), revelou, durante entrevista concedida nesta quinta-feira (13) ao portal UOL, que manteve um longo histórico de disputas políticas com o deputado federal Aécio Neves (PSDB), mas que atualmente busca uma aproximação e apoio do tucano na campanha eleitoral do estado. Kalil, que anteriormente tinha uma postura de crítica e confronto com Aécio, afirmou que as divergências ficaram no passado e que as relações políticas estão sendo restabelecidas.
Durante a sabatina, Kalil admitiu que, no passado, fez críticas duras ao tucano, chegando a dizer que o próprio Aécio, referido por ele como “príncipe”, iria “para a gaiola”. Ele explicou que, na época, suas ações eram motivadas por disputas políticas intensas, incluindo uma aliança de Aécio com 11 partidos contra sua candidatura. Kalil declarou: “Eu tive diferenças políticas com o Aécio e sempre o agredi, ele nunca me agrediu. Eu que fiquei com raiva. Eu não estava com vontade de criticá-lo não, porque quando ele fez uma aliança com 11 partidos contra mim, eu tive vontade de matar ele, é coisa da política”.
Apesar das confrontações anteriores, o ex-prefeito afirmou que é importante reconhecer que Aécio Neves foi julgado e, posteriormente, absolvido. Ele ressaltou que, por princípios pessoais, não faz alianças com pessoas condenadas, mas destacou que há um apelo para que o senador ocupe uma vaga no Senado Federal, considerando que sua presença no cenário político pode fortalecer o horário eleitoral do grupo. Kalil argumentou que, sem um senador, o estado perderia tempo de televisão, o que é estratégico na campanha.
Questionado sobre possíveis perdas de eleitorado progressista devido à aproximação com o PSDB, Kalil afirmou que não está preocupado em perder ou ganhar esse segmento. Ele destacou seu trabalho na prefeitura de Belo Horizonte, enfatizando que sua gestão foi marcada por ações voltadas à saúde e à educação, além de afirmar que sua identificação política está ligada ao seu perfil de gestor e à empatia demonstrada ao longo de sua carreira.
Na sequência, Kalil negou qualquer ruptura com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a eleição de 2022, quando chegou a receber apoio do petista para uma possível candidatura ao Palácio Tiradentes. Ele afirmou que nunca desrespeitou Lula e que a narrativa de um conflito entre ambos foi criada por interesses internos ao PT. Kalil explicou que a ausência de convite para participar de eventos do presidente na ocasião foi uma decisão de pessoas próximas ao PT, que teriam interesse em ocupar uma vaga no Senado e temiam sua eventual candidatura. Ele também afirmou que, na época, não tinha intenção de aceitar cargos em Brasília, posição que mantém até hoje.
O ex-prefeito concluiu afirmando que não guarda ressentimentos e que acredita que a situação foi mal interpretada. Kalil destacou que o episódio não teve relação direta com Lula, mas sim com interesses internos do PT, e que o próprio presidente estava em transição de governo na época. Ele afirmou ainda que conhece quem teria sido responsável por essa estratégia, mas preferiu não revelar nomes, reforçando que a questão é antiga e não relacionada ao presidente atual.








