O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou nesta segunda-feira, 28 de setembro, durante um comício em Belém, no Pará, a resistência de muitos homens em realizar exames preventivos para o câncer de próstata, ressaltando diferenças culturais na rotina de cuidados de saúde entre os sexos. Em sua fala, Lula afirmou que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”, referindo-se à rotina de exames ginecológicos, enquanto os homens, por questões de preconceito e cultura machista, evitam procedimentos urológicos preventivos, incluindo o exame de toque retal.
Durante o evento, Lula também destacou a realização da primeira cirurgia robótica de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Norte do Brasil, que ocorreu no estado do Pará. Segundo o presidente, a operação representa um avanço na saúde pública local e demonstra o esforço do governo em ampliar o acesso a tecnologias de ponta na medicina. “Hoje eu vi uma coisa que me orgulha. Uma coisa fantástica. Nós hoje fizemos a primeira operação robótica de próstata aqui no estado do Pará e no Norte do país”, afirmou Lula, enfatizando a importância do procedimento para o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer de próstata.
Ao falar sobre a resistência masculina aos exames, Lula relacionou o comportamento às tradições culturais e ao machismo predominante na sociedade brasileira. Segundo ele, “porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito”, declarou, reforçando a necessidade de conscientização e mudança de cultura para melhorar a prevenção de doenças masculinas.
A declaração do presidente gerou repercussão nas redes sociais e foi alvo de críticas por parte de políticos da oposição. Entre eles, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) contestou a fala de Lula, afirmando que “menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula!”. Além dele, as deputadas Júlia Zanatta (PL-SC) e Rosangela Moro (PL-SP), candidatas à reeleição, também se manifestaram sobre o tema, reforçando a controvérsia gerada pelo pronunciamento presidencial.
Em resposta às críticas, a equipe de Lula divulgou uma nota esclarecendo o contexto de sua declaração. Segundo o documento, o presidente referia-se aos exames ginecológicos preventivos, que fazem parte da rotina de saúde das mulheres desde a juventude, e não às ações específicas de higiene ou cuidados pessoais. A nota destaca ainda que, culturalmente, o machismo e a resistência cultural dificultam a adesão masculina aos exames urológicos preventivos, o que justifica a fala de Lula ao tentar sensibilizar a sociedade para a necessidade de mudanças no comportamento e na cultura de prevenção.
Este episódio evidencia o debate sobre as diferenças de abordagem na saúde entre homens e mulheres no Brasil, bem como os desafios enfrentados para ampliar a conscientização sobre a importância dos exames preventivos masculinos. A discussão também reacende o debate sobre o papel do machismo na resistência a procedimentos médicos que podem salvar vidas, reforçando a necessidade de políticas públicas que promovam a saúde integral de todos os gêneros.








