O candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, afirmou que a prioridade máxima para o próximo gestor do Estado deve ser a regularização da dívida de Minas com a União, considerando esse tema como fundamental para a retomada do equilíbrio fiscal e para a viabilização de investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública. Durante uma sabatina promovida pelo portal Itatiaia, Azevedo destacou que, para assegurar o funcionamento eficiente do Estado, é imprescindível que as contas públicas estejam equilibradas, evitando gastos superiores às receitas.
Segundo o candidato, o atual governo mineiro, que está à frente há oito anos, criticou a gestão anterior, mas não conseguiu quitar a dívida herdada. Ele ressaltou que, ao final do mandato, Minas Gerais deverá apresentar um déficit de aproximadamente R$ 7 bilhões para o próximo ano. Para ele, não há como deixar de honrar os compromissos assumidos e, ao mesmo tempo, manter os serviços públicos funcionando adequadamente. Azevedo enfatizou a importância de priorizar áreas como educação, destacando que as escolas não podem ser apenas depósitos de adolescentes, mas espaços de aprendizagem efetiva. Da mesma forma, apontou que hospitais não podem ter filas invisíveis para cirurgias e que famílias não podem receber a notícia de falecimento de parentes por falta de recursos ou de uma estrutura adequada. Além disso, criticou a falta de combustível nos veículos da polícia, o que compromete a segurança pública.
Para ilustrar a situação financeira do Estado, o candidato utilizou uma analogia com o orçamento doméstico. Ele explicou que Minas Gerais deve R$ 179,3 bilhões, valor considerado elevado, e que o Estado precisou aderir ao Programa de Renegociação das Dívidas dos Estados, o Propag, que oferece condições de parcelamento sem juros. Azevedo afirmou que pretende manter o parcelamento, mesmo que signifique pagar por um longo período, ressaltando que Minas terá que desembolsar inicialmente 20% da dívida, o que equivale a quase R$ 35 bilhões, além de uma lista de dívidas estimada em R$ 88 bilhões. Ele destacou que o governo federal ainda precisa validar se esse valor é correto, o que pode impactar as negociações.
O candidato também criticou o aumento de isenções fiscais concedidas pelo atual governo de Romeu Zema, prometendo rever esses benefícios caso seja eleito. Azevedo afirmou que há uma disparidade significativa nos subsídios concedidos ao longo dos últimos anos, passando de R$ 6 bilhões em 2019 para R$ 26 bilhões em anos anteriores, o que, na sua avaliação, representa desperdício de recursos públicos. Ele defendeu uma revisão completa dos benefícios fiscais, apontando que uma lista judicial revelou quase 4 mil empresas que recebem mais de R$ 25 bilhões em subsídios, incluindo, segundo ele, uma empresa ligada ao próprio ex-governador Romeu Zema.
Para o candidato, esses subsídios só seriam justificados se trouxessem retorno para Minas Gerais, o que, na sua visão, não estaria acontecendo de forma adequada. Ele alertou que, se o Estado não respeitar o Programa de Regularização de Dívidas (Propag), os juros da dívida podem voltar a subir, agravando a situação fiscal e levando a uma crise semelhante à enfrentada no passado, durante o governo do PT. Ressaltou ainda que a má gestão das contas públicas resulta em salários parcelados de professores, escassez de recursos para os municípios e sofrimento na ponta da população.
Por fim, Gabriel Azevedo criticou a postura de políticos populistas que, segundo ele, prometem não prejudicar o povo mineiro em relação às dívidas públicas, mas, na prática, ignorar essa questão compromete o futuro das próximas gerações. Ele reforçou que a responsabilidade de quitar as dívidas herdadas é fundamental para garantir a estabilidade financeira de Minas Gerais e a continuidade de serviços essenciais à população.









