Quatro obras atribuídas ao renomado pintor renascentista Antonello da Messina foram furtadas neste último fim de semana do Museu Regional de Messina, localizado na ilha da Sicília, Itália. O roubo ocorreu em meio à agitação do tradicional festival religioso conhecido como Procissão das Varas, que atrai dezenas de milhares de participantes às ruas da cidade, proporcionando uma distração que teria facilitado a ação dos criminosos. De acordo com informações da revista Smithsonian, os ladrões aproveitaram a grande concentração de pessoas para ingressar no museu sem ativar os sistemas de segurança eletrônicos, levando vantagem sobre a vigilância.
As obras levadas incluem três painéis do Políptico de São Gregório, um retábulo produzido por Antonello da Messina em 1473. Originalmente composto por seis painéis, a peça retrata a Virgem Maria com o Menino Jesus, acompanhada por santos, sendo considerada uma das principais criações do artista. Durante o roubo, os criminosos removeram cinco painéis que ainda estavam no museu, levando três deles, enquanto os outros dois foram encontrados posteriormente encostados em uma cerca, possivelmente abandonados durante a fuga. Além das partes do polígono, os ladrões também roubaram uma pequena pintura devocional conhecida como Tavoletta bifronte, que apresenta a Madona com o Menino Jesus de um lado e Cristo adulto do outro, acompanhado por um monge franciscano. Para acessar essa obra, os criminosos quebraram uma vitrine, demonstrando a audácia do crime.
Marisa Mercurio, diretora do Museu Regional de Messina, declarou ao jornal britânico The Guardian que a perda representa um impacto cultural e artístico de grande magnitude. Ela ressaltou que as obras roubadas possuem uma importância simbólica não apenas para a cidade de Messina, mas para toda a Sicília, e que as equipes de segurança e as autoridades locais estão empenhadas na tentativa de recuperar as peças o mais rápido possível.
A ação criminosa tem uma relevância ainda maior por atingir duas das principais obras de Antonello da Messina que permaneciam em sua cidade natal. O Políptico de São Gregório, pintado aproximadamente em 1479, seis anos antes da morte do artista, nunca havia saído de Messina, tendo sofrido uma perda adicional em 1908, quando um de seus seis painéis foi destruído pelo terremoto que devastou a cidade, causando milhares de vítimas. Estima-se que apenas cerca de 40 obras de Antonello tenham sobrevivido até os dias atuais, consolidando sua importância na história da arte renascentista. Nascido na cidade de Messina por volta de 1430, Antonello da Messina é considerado um dos principais nomes do Renascimento no sul da Itália, e sua influência é reconhecida por sua introdução de técnicas de pintura a óleo flamenca na região.
A relevância do artista também é refletida no mercado de arte: no início deste ano, o governo italiano pagou aproximadamente US$ 14,9 milhões pela obra Ecce Homo, de Antonello, adquirida pouco antes de ser leiloada em Nova York. Já a Tavoletta bifronte, roubada do Museu Regional de Messina, havia sido vendida em leilão em 2003 por cerca de US$ 410 mil (aproximadamente R$ 2,1 milhões). O roubo ocorre poucos dias após a polícia italiana anunciar a recuperação de três obras roubadas em março da Fundação Magnani-Rocca, na região de Parma, que estavam avaliadas em mais de US$ 10 milhões (mais de R$ 52 milhões), incluindo pinturas de Pierre-Auguste Renoir, Paul Cézanne e Henri Matisse. O episódio reforça a crescente preocupação com a segurança do patrimônio artístico na Itália, especialmente em momentos de festividades e eventos de grande público.









