O candidato do PT ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias, reiterou nesta sexta-feira (21) a sua posição favorável à reestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), durante uma agenda realizada na Praça da Estação, em Belo Horizonte, ao lado do presidente e atual candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de afirmar que a retomada do controle estatal da empresa poderá levar anos, Patrus destacou que o processo deve ser discutido com cautela e responsabilidade, considerando o cenário econômico e jurídico do estado.
Durante o evento, Patrus afirmou que a reestatização da Copasa não será uma ação rápida ou simplificada. Ele ressaltou que o estado de Minas Gerais enfrenta uma dívida elevada, superior a R$ 200 bilhões, o que exige uma gestão cuidadosa dos recursos públicos. Segundo o candidato, o foco imediato deve ser na priorização de áreas essenciais como educação, saúde, cultura e infraestrutura, incluindo estradas que atualmente encontram-se em situação de abandono. Essa declaração reforça a complexidade do contexto financeiro do estado, que precisa equilibrar a recuperação de serviços públicos essenciais com a necessidade de consolidar uma gestão fiscal responsável.
Patrus explicou que o processo de reestatização envolve etapas que podem se estender por anos, devido às questões econômicas e jurídicas envolvidas. Ele afirmou que o primeiro passo é exigir que a empresa que adquiriu a Copasa, por meio de privatizações anteriores, cumpra suas obrigações contratuais de forma efetiva. Caso a concessionária demonstre fragilidade na operação, o governo estadual poderá então atuar de forma mais incisiva, aproveitando oportunidades para fortalecer a posição do estado na gestão do serviço. Essa estratégia visa garantir que a reestatização seja realizada de forma gradual e planejada, minimizando riscos e prejuízos ao erário público.
Além da questão da Copasa, Patrus reafirmou seu compromisso com a manutenção de serviços considerados essenciais como direitos públicos, incluindo água, saneamento básico e energia elétrica. Ele reforçou que esses setores devem permanecer sob controle estatal, garantindo acesso universal e de qualidade à população mineira. Nesse contexto, o candidato também descartou qualquer possibilidade de privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A estatal mineira foi privatizada em junho de 2023, após um longo processo legislativo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que culminou na venda de 45% de participação da empresa para o Grupo Equatorial, por R$ 49,03 por ação, totalizando aproximadamente R$ 5,59 bilhões. A operação foi realizada por meio de um leilão na B3, a bolsa de valores brasileira, consolidando a privatização após anos de debates políticos e econômicos sobre o papel do setor privado na gestão de serviços públicos essenciais.
A posição de Patrus reflete uma discussão mais ampla sobre o modelo de gestão de serviços públicos em Minas Gerais, especialmente diante do histórico de privatizações e das atuais necessidades de ampliação e melhoria na oferta de saneamento e energia. Sua postura de cautela na reestatização evidencia a complexidade do tema, que envolve não apenas interesses políticos, mas também questões jurídicas, financeiras e sociais, que demandam um planejamento cuidadoso para garantir o interesse público.









