O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, tenham direito a seis horas diárias de contato com seus advogados na unidade da Papudinha, situada ao lado do Complexo da Papuda, em Brasília. A decisão, que já está em vigor, visa assegurar condições adequadas de preparação dos investigados para os depoimentos finais no âmbito do inquérito conhecido como “Caso Master”, antes do encerramento das investigações pela Polícia Federal (PF).
A medida foi revelada nesta sexta-feira (21) pela CNN, após Vorcaro e Costa utilizarem parte do dia para se reunir com seus defensores. A decisão do relator do caso no STF surgiu a partir de pedido das próprias defesas, que argumentaram a necessidade de mais tempo para preparar os depoimentos. As salas destinadas às reuniões não possuem gravação, em conformidade com o sigilo profissional, garantindo a confidencialidade das conversas entre os investigados e seus advogados.
Daniel Vorcaro, que responde a três depoimentos na Polícia Federal, tinha inicialmente agendado seu primeiro interrogatório para esta quinta-feira (20). No entanto, a sessão foi adiada após o advogado Daniel Bialski solicitar mais tempo para se reunir com o cliente, uma medida que ocorreu duas semanas após a sua contratação. Os demais depoimentos estão marcados para a próxima segunda-feira (24) e para o final da semana seguinte, porém ambos também foram suspensos até o momento, devido às dificuldades de preparação.
A prorrogação do prazo para os depoimentos impactou o cronograma da Polícia Federal, que havia previsto o encerramento do inquérito para o final de agosto. Agora, a corporação trabalha com uma nova expectativa de conclusão para o mês de setembro, antes do período eleitoral. Para tanto, solicitou ao STF uma extensão de 60 dias no prazo processual, a fim de concluir o envio do primeiro relatório ao Ministério Público.
No que se refere às estratégias de Vorcaro, o aumento do tempo de reuniões com advogados também reforça as tentativas de reabrir negociações para uma eventual delação premiada. Embora duas propostas de colaboração tenham sido rejeitadas anteriormente, a defesa busca estabelecer um novo canal de diálogo, visando um acordo que possa beneficiar o investigado no âmbito das investigações em curso.
A decisão de Mendonça reflete uma preocupação do judiciário em garantir o direito à ampla defesa, especialmente em fases finais de apuração de crimes de maior complexidade. A ampliação do período de reuniões e o sigilo das conversas reforçam a prioridade de assegurar um procedimento justo, ao mesmo tempo em que o inquérito do Caso Master se encaminha para sua fase conclusiva.








