A Polícia Federal está aguardando o envio de informações por parte da Polícia Civil do Estado de São Paulo para dar continuidade às investigações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata um período da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A autorização para o compartilhamento desses dados foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, na última segunda-feira (24), em uma medida que visa aprofundar o rastreamento dos recursos utilizados na produção.
Segundo apuração do analista Elijonas Maia, apresentada no programa Live CNN na terça-feira (25), a estratégia da Polícia Federal é seguir o percurso do dinheiro, adotando a técnica conhecida como “follow the money”. Essa abordagem busca identificar a origem, o fluxo e o destino dos recursos envolvidos na produção do filme, especialmente em relação às emendas parlamentares destinadas à produtora responsável, a Go Up Entertainment.
Elijonas Maia explicou que a Polícia Federal solicitou o compartilhamento das informações porque a Polícia Civil de São Paulo já possui um avanço significativo na apuração, incluindo buscas e apreensões, análise de documentos e quebras de sigilo bancário. Com esse intercâmbio de dados, a PF espera acelerar o andamento do inquérito, que investiga o envio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares à produtora do filme.
A produtora envolvida na produção do documentário é a Go Up Entertainment, que produz “Dark Horse”, uma obra que aborda aspectos da trajetória de Jair Bolsonaro. Com o acesso às informações, a Polícia Federal pretende detalhar a origem e o destino dos recursos, analisando prestação de contas, dados bancários e movimentações financeiras dos envolvidos, incluindo eventuais quebras de sigilo bancário. Ainda não há definição se o dinheiro foi integralmente utilizado no Brasil ou se parte dele foi enviada ao exterior.
Caso o inquérito das emendas parlamentares, que apura supostos desvios de recursos, gere elementos relevantes, a PF poderá solicitar novo compartilhamento de provas ao STF, ampliando as investigações para questões como evasão de divisas. Essa investigação, autorizada por Dino, está centrada na figura de Karina Ferreira da Gama, considerada uma ligação entre as apurações locais e as investigações federais.
Karina Ferreira da Gama é responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização não governamental que firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital e também mantém vínculo com a produtora Go Up Entertainment. Em junho deste ano, a Polícia Federal realizou uma operação contra o ICB para verificar a regularidade do contrato com a prefeitura, incluindo possíveis irregularidades em licitações e o uso dos recursos públicos repassados, além de investigar se esses recursos foram destinados à produção do filme.
Na ocasião, a Polícia Civil de São Paulo solicitou que Karina apresentasse relatórios financeiros detalhados, incluindo receitas, despesas e movimentações das entidades sob sua responsabilidade. A investigação buscava esclarecer se recursos municipais foram utilizados na produção do filme “Dark Horse”. A Prefeitura de São Paulo, na época, declarou que não identificou irregularidades e que os serviços foram prestados conforme o previsto, com o prefeito Ricardo Nunes afirmando confiar na inocência de Karina Ferreira da Gama.
Esses relatórios serão agora compartilhados com a Polícia Federal, que responde por dois inquéritos no STF ligados ao filme. O primeiro, sob relatoria de Flávio Dino, investiga se emendas parlamentares no valor de aproximadamente R$ 2 milhões, destinadas ao Instituto Conhecer Brasil por parlamentares de direita, principalmente do PL, foram desviadas para financiar “Dark Horse”. O segundo inquérito, sob relatoria de André Mendonça, apura a participação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que teria repassado R$ 61 milhões para a produção do filme, com a PF buscando verificar se toda a quantia foi efetivamente utilizada na obra.
Nesse último procedimento, há suspeitas de que parte dos recursos possa ter sido desviada para financiar a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde reside desde o início de 2025. A investigação aponta um elo na figura de um advogado responsável por questões migratórias de Eduardo Bolsonaro, que também administra o fundo que financia a produção do filme nos EUA. A família Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que Eduardo indicou o advogado ao irmão Flávio Bolsonaro por confiar na pessoa, negando ter recebido recursos de Daniel Vorcaro destinados à produção de “Dark Horse”.







