O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), candidato ao Senado Federal por Minas Gerais, afirmou, em entrevista à Itatiaia, que, caso seja necessário, sua postura na disputa ao Senado será de uma posição de centro, evitando polarizações extremas entre os principais grupos políticos do país. Ele também se colocou como uma figura capaz de contribuir na discussão sobre a renegociação da dívida bilionária de Minas Gerais com a União, além de defender um projeto nacional que privilegie o centro político, afastando-se das disputas ideológicas entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão de disputar o Senado foi tomada de última hora pelo próprio Aécio, que inicialmente planejava permanecer como presidente nacional do PSDB, atuando na reorganização do partido. Segundo ele, a mudança de rota foi motivada por pedidos de prefeitos, lideranças políticas e movimentos sociais, diante de um cenário considerado difícil para Minas Gerais. O parlamentar declarou que, até poucos dias antes, acreditava que poderia contribuir de outras formas dentro do partido, mas que sentiu que ainda tinha uma contribuição a oferecer na política estadual e nacional. “Perdemos muita substância, inclusive nacionalmente. Não fui eu que busquei a candidatura, ela veio ao meu encontro”, afirmou.
Um dos principais focos da campanha de Aécio é a renegociação da dívida de Minas Gerais com a União, uma questão considerada prioritária por ele. O parlamentar avalia que o programa de pagamento adotado pelo governo estadual, conhecido como Propag, foi uma solução viável diante de um momento de crise financeira. Para ele, a renegociação dessa dívida é fundamental para aliviar as contas do estado e permitir investimentos em áreas essenciais como saúde, infraestrutura, segurança pública e estradas.
Caso seja eleito, Aécio Neves propõe a articulação de uma bancada de cerca de 20 senadores da região Sudeste para pressionar por recursos que, pagos pelos estados à União, possam ser revertidos em investimentos diretos. Ele pretende atuar para que esses recursos sejam destinados a melhorias em setores estratégicos, fortalecendo o desenvolvimento regional. “Minha relação com Minas, minha história no estado e a conexão institucional que construí com figuras políticas de todo o Brasil são elementos que vão me ajudar a buscar esses recursos. Não farei isso sozinho, mas tenho conhecimento do caminho a percorrer”, declarou.
O candidato também destacou a importância do diálogo político e da capacidade de interlocução com diferentes espectros ideológicos. Segundo ele, exercer o mandato de senador exige habilidade para conversar tanto com a esquerda quanto com a direita. Aécio relembrou seu período de gestão em Minas Gerais, quando governou o estado ao mesmo tempo em que Lula presidia o Brasil, defendendo que a manutenção de uma relação institucional e republicana é essencial para a governabilidade, independentemente das divergências ideológicas. “Sou um homem de centro, o que me permite dialogar de forma respeitosa com todas as correntes ideológicas. Se eu estiver no Senado, isso será uma vantagem para buscar soluções que beneficiem o país e o estado”, concluiu.







