O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta sexta-feira (4), durante entrevista à CNN Brasil, que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) não foi sucateada durante sua gestão à frente do governo estadual. Zema também declarou que a estatal foi utilizada no passado como instrumento de politicagem, o que, segundo ele, comprometeu seus investimentos e sua operação.
A declaração do candidato ocorre em meio a questionamentos sobre problemas recentes no abastecimento de água em bairros de Belo Horizonte, além de críticas da oposição de que a companhia teria sido enfraquecida antes do processo de privatização. Zema explicou que a privatização da Copasa foi concluída há aproximadamente 90 dias, em uma operação realizada na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que movimentou cerca de R$ 8,3 bilhões. Como parte do processo, a Equatorial Energia, por meio da subsidiária Gerais Saneamento, tornou-se investidora de referência na companhia, com uma participação de 30% do capital social.
O ex-governador rebateu as acusações de sucateamento, alegando que os investimentos em saneamento aumentaram durante seu mandato. Ele destacou que a empresa, sendo de capital aberto, possui transparência e que os dados disponíveis demonstram que, sob sua gestão, os investimentos no setor de saneamento em Minas Gerais foram multiplicados várias vezes. Para sustentar essa afirmação, Zema também utilizou a valorização das ações da Copasa, que, segundo ele, aumentaram cerca de 300%. Ele ironizou a acusação de sucateamento, comparando a valorização das ações à valorização de um carro sucateado, que, paradoxalmente, poderia valer mais.
Zema também fez uma análise histórica, afirmando que os problemas estruturais enfrentados atualmente pela Copasa têm origem anterior à sua administração. Ele acusou governos passados de utilizarem a estatal para fins políticos, o que, na visão dele, resultou na redução de investimentos e no enfraquecimento da companhia. Segundo o candidato, essa prática de politicagem comprometeu o desenvolvimento da empresa ao longo dos anos.
Defendendo a privatização, Zema afirmou que a mudança de controle visa ampliar os investimentos na companhia e atingir as metas de universalização dos serviços de saneamento, incluindo áreas rurais e núcleos urbanos informais. Ele ressaltou que a legislação que autorizou a privatização impõe obrigações de universalização, uma meta que, na sua visão, deve ser alcançada com o novo controlador da empresa.
Por fim, o candidato destacou que o Brasil enfrenta dificuldades semelhantes em diversas regiões, com uma parcela expressiva da população sem acesso adequado à água potável e ao tratamento de esgoto. Ele citou dados que indicam que até 80% das pessoas em algumas áreas não têm acesso à água de qualidade, o que contribui para a propagação de doenças, além de problemas relacionados ao saneamento básico, como o esgoto a céu aberto. Zema concluiu afirmando que o país ainda não conseguiu cumprir a lição de melhorar esses serviços essenciais para toda a população.








