O candidato à Presidência da República pelo partido Avante, Augusto Cury, afirmou nesta segunda-feira (7), durante sabatina promovida pela CNN Brasil, que irá analisar a possibilidade de conceder uma eventual anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, caso venha a vencer as eleições de 2026. Embora tenha demonstrado simpatia por figuras das Forças Armadas, incluindo Bolsonaro, que alcançou o posto de capitão no Exército Brasileiro, Cury destacou que não pretende fazer promessas nesse sentido, ressaltando a importância de tratar o tema com responsabilidade.
Durante a entrevista, o candidato explicou que a decisão de anistiar Bolsonaro dependerá de uma análise detalhada do caso. Ele afirmou que o perdão presidencial é uma medida de grande gravidade e que não deve ser utilizada de forma leviana ou como estratégia eleitoral. “Vou analisar todos os detalhes para poder dizer se eu vou ou não anistiar [o Bolsonaro], mas há chance. O perdão presidencial é algo muito sério e não deve ser uma pauta eleitoreira irresponsável. Eu vou analisar. Tenho um respeito enorme pelos generais, pelas Forças Armadas, que para mim são os alicerces da democracia. E vou analisar com critério e com responsabilidade”, declarou.
Cury também abordou a questão dos processos relacionados aos eventos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, nos quais apoiadores de Bolsonaro tentaram invadir e depredar o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal. O candidato criticou as condenações aplicadas a muitos réus envolvidos nesses ataques, afirmando que, na sua visão, houve exagero nas punições. Segundo ele, embora seja necessário punir aqueles que tiveram intenção de promover um golpe, nem todos os envolvidos podem ser considerados culpados apenas por terem desejado ou planejado ações golpistas.
“Quem cometeu ou teve a intenção de cometer o golpe tem que ser punido, mas eu quero dizer que golpe você tem quando há materialização, quando as Forças Armadas se unem aos golpistas. Isso não houve. Se houve a intenção do golpe, ele não se materializou”, afirmou Cury. Sua posição sugere uma distinção entre intenções e ações concretas, defendendo que a ausência de união das Forças Armadas aos golpistas impede a caracterização de um golpe efetivo, o que, na sua avaliação, justifica uma análise mais ponderada sobre as condenações.
A declaração de Augusto Cury reforça o tom de cautela adotado por ele em relação a temas sensíveis ligados à política e às instituições democráticas, sinalizando que, caso seja eleito, pretende atuar com responsabilidade e critério ao tratar de assuntos que envolvem perdão presidencial e punições relacionadas aos eventos de 8 de janeiro.









