A manutenção de Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança das intenções de voto na disputa pelo Palácio Tiradentes, sede do Governo de Minas Gerais, demonstra que o favoritismo do senador não se limita a um simples efeito de recall eleitoral, mas reflete uma preferência consolidada do eleitorado pelo seu nome. A análise foi feita pelo cientista político Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, em entrevista exclusiva à Itatiaia nesta quinta-feira (10). Segundo Russo, o resultado indica que o eleitor mineiro demonstra um sentimento de afeto e preferência genuína por Cleitinho, além de apenas lembrar-se de seu nome.
Russo explica que, embora Cleitinho possua um recall eleitoral, esse não se assemelha ao de figuras de grande visibilidade, como apresentadores de televisão, cujo reconhecimento é mais superficial. Para o cientista, o recall de Cleitinho é de “eu lembro e gosto dele”, o que evidencia uma conexão mais sólida com o eleitorado. “Ele, sim, tem um recall, mas esse não é o recall de alguém, digamos, como a de um apresentador de televisão. É um recall de ‘eu lembro e gosto dele’. É inegável que Cleitinho tem um grande grupo de apoiadores. Ele aparece à frente nas pesquisas e mantém variações de preferência em um intervalo bastante estreito”, pontua Russo. Ainda assim, o especialista ressalta que, apesar da vantagem nas pesquisas, essa liderança não é suficiente para garantir uma vitória no primeiro turno, caso a eleição fosse realizada atualmente.
Outro aspecto relevante destacado por Russo é o alto percentual de indecisos no estado, que está significativamente acima da média histórica de Minas Gerais e de outras unidades da federação. Essa condição amplia o espaço para a candidatura de outros nomes, incluindo nomes como Alexandre Kalil (PSD), Patrus Ananias (PT), e o atual governador, Mateus Simões (PSB). Russo observa que Kalil e Patrus disputam atualmente o segundo lugar, ambos com cerca de 11% das intenções de voto, enquanto Mateus Simões tenta ampliar sua exposição e se consolidar como uma alternativa, buscando herdar o legado de Romeu Zema (Partido Novo).
No que diz respeito às estratégias de segundo turno, Russo aponta que o cenário mais favorável para Cleitinho seria com um candidato de esquerda ou centro-esquerda, que pudesse polarizar o eleitorado atualmente dividido. A divisão do espectro político e o conhecimento do eleitor sobre o PT, partido que sempre teve forte influência na política nacional e mineira, favorecem um cenário em que uma candidatura petista facilitaria a disputa para um candidato de direita, como Cleitinho. “Pela própria divisão do eleitorado e pelo fato de o eleitor saber muito bem como se sente em relação ao PT, uma candidatura petista costuma ser um cenário mais fácil para um candidato de direita”, analisa.
Por fim, Russo destaca que Patrus Ananias, que entrou na disputa de forma relativamente recente, apoiado pelo presidente Lula (PT), tende a crescer nas intenções de voto. Segundo ele, a conexão de Patrus como candidato do PT ainda não é totalmente percebida por todo o eleitorado mineiro, mas a expectativa é de crescimento natural, impulsionado pelo fato de ser uma candidatura de esquerda e pelo reconhecimento do apoio do partido ao qual está vinculado. Assim, a tendência é que o candidato petista ganhe força ao longo do período eleitoral, o que pode alterar o cenário de disputa no estado.









