O delegado da Polícia Federal (PF) Andrei Augusto Passos Rodrigues, que teve seu afastamento preventivo da direção-geral da corporação decretado nesta terça-feira (8), possui uma carreira de mais de duas décadas na instituição, marcada por cargos estratégicos e atuações relevantes na segurança de candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT) à presidência da República. Sua trajetória, que inclui experiências em grandes eventos e operações de combate ao crime, voltou ao centro do debate após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastá-lo preventivamente de suas funções na PF.
Andrei Rodrigues construiu sua carreira na Polícia Federal ao longo de mais de vinte anos, acumulando experiências em diferentes áreas e regiões do país. Sua formação acadêmica inclui graduação em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (RS), além de mestrado em Alta Gestão em Segurança Internacional, obtido junto ao Centro Universitário da Guardia Civil da Espanha e à Universidade Carlos III de Madri. Sua atuação na segurança de campanhas presidenciais do PT remonta a 2010, quando coordenou a segurança da então candidata Dilma Rousseff. Doze anos depois, assumiu a mesma responsabilidade na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, que resultou na sua eleição para o Palácio do Planalto.
Durante o governo de Dilma Rousseff, Andrei também exerceu o cargo de secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, sendo responsável pela organização da estrutura de segurança para eventos de grande porte, como a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Sua atuação nesses momentos foi fundamental para a coordenação de estratégias de segurança em eventos internacionais de alta complexidade.
Dentro da Polícia Federal, Andrei ocupou posições de destaque, entre elas a chefia da Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Manaus (AM), a direção da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Porto Alegre (RS) e a gestão da unidade do Aeroporto Internacional de Brasília (DF). Além disso, foi coordenador-geral de Polícia Fazendária, chefe de unidade de Gestão Estratégica e oficial de ligação da PF em Madri, na Espanha. Sua experiência internacional e sua atuação em diferentes regiões do Brasil contribuíram para sua reputação na corporação.
Após a vitória de Lula nas eleições de 2022, Andrei deixou a chefia da Divisão de Relações Internacionais da PF e foi nomeado para a direção-geral da instituição, uma indicação do então presidente Jair Bolsonaro, que considerou sua experiência e a relação de confiança construída durante a campanha presidencial. Sua nomeação foi oficializada em dezembro de 2022 pelo então ministro da Justiça, Flávio Dino.
Durante sua gestão à frente da Polícia Federal, Andrei esteve à frente de investigações de grande impacto político e econômico, o que reforçou sua presença no centro de debates públicos e políticos. No entanto, sua atuação voltou a ser questionada após decisão do STF, que determinou seu afastamento preventivo da direção-geral da corporação e do diretor de Inteligência Policial, delegado Leandro Almada. A medida foi motivada por relatórios de inteligência utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes para questionar a legalidade de procedimentos adotados na condução de inquéritos sob a responsabilidade do delegado.
Segundo o ministro André Mendonça, relator do caso, os relatórios de inteligência utilizados na condução dos inquéritos apresentaram respaldo técnico e jurídico insuficiente, o que levou Moraes a questionar a legalidade das ações da PF. Mendonça afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático e ilegal” por parte da corporação, e justificou o afastamento de Andrei e de Almada pelo risco que suas permanências poderiam representar às investigações em andamento.
A decisão do STF foi submetida à Segunda Turma, que inicialmente formou maioria para manter o afastamento de Andrei Rodrigues, com votos favoráveis de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. Contudo, o julgamento foi interrompido por Gilmar Mendes, que solicitou vista do processo, adiando a definição final sobre a questão. O episódio evidencia a complexidade das investigações e a tensão institucional envolvendo a Polícia Federal, o Supremo e os desdobramentos políticos relacionados às operações em andamento.









