O senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou nesta terça-feira, 8 de novembro, que apresentará um pedido de prisão preventiva do diretor-geral afastado da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em decorrência das investigações envolvendo monitoramento ilegal de autoridades. A iniciativa ocorre após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento de Rodrigues e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, devido às suspeitas de coleta e monitoramento não autorizado de informações relacionadas ao ministro do STF, André Mendonça.
Em entrevista coletiva concedida ao Senado, Viana destacou que as suspeitas de monitoramento ilegal, além de justificarem o afastamento temporário de Rodrigues, reforçam a necessidade de sua detenção preventiva. Segundo o parlamentar, as investigações apontam também para possíveis irregularidades no uso de recursos públicos e na produção de relatórios de inteligência considerados por Mendonça como documentos apócrifos e irregulares. O senador afirmou que o pedido de prisão será encaminhado às autoridades competentes, incluindo o ministro Mendonça, a Corregedoria da Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU).
Viana ressaltou a gravidade do caso, afirmando que “diante dos fatos graves revelados de monitoramento ilegal de uma autoridade da República”, o ministro Mendonça deveria ter ordenado a prisão de Andrei Rodrigues e do responsável pelos serviços de inteligência da Polícia Federal imediatamente. Mendonça, por sua vez, justificou a decisão de afastar os envolvidos ao afirmar que, junto com o advogado-geral da União, Jorge Messias, foi alvo de um “monitoramento e coleta dirigida” ilegal por mais de um mês, o que teria motivado a medida de afastamento.
Além do afastamento, Mendonça apontou irregularidades técnicas nos relatórios de inteligência utilizados pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, para solicitar uma investigação contra ele. Segundo o ministro, esses documentos eram considerados apócrifos, sem elementos suficientes para comprovar autoria ou data de elaboração, apresentando-se como material de trabalho de baixo valor probatório. A decisão de Mendonça não incluiu a determinação de prisão de Andrei Rodrigues, diferentemente do que sugeriram pedidos anteriores feitos pelo Partido Novo, que não foram atendidos pelo ministro.
O caso também está sendo avaliado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta terça-feira começou a analisar o pedido de manutenção do afastamento de Mendonça, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Até o momento, os votos indicam a permanência do afastamento, com Gilmar Mendes solicitando vista e Toffoli ainda sem voto.
Além do pedido de prisão, Viana anunciou que acionará a ministra Cármen Lúcia para cobrar uma posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a instalação do Conselho de Ética e a tramitação de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. O senador também defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar os fatos, incluindo a convocação de Andrei Rodrigues, Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para prestar esclarecimentos ao Senado.
Por fim, Viana afirmou que pretende solicitar ao ministro Edson Fachin o afastamento de Moraes e questionou a permanência de Gonet no caso envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master, reforçando a preocupação com a condução das investigações e a integridade das instituições.









