Auxiliares próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão considerando uma postura mais firme diante do agravamento da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e os resultados desfavoráveis nas pesquisas de opinião. Entre as propostas discutidas, destacam-se a convocação do Conselho da República, órgão responsável por assessorar a Presidência em momentos de crise, e a implementação de mudanças na duração dos mandatos dos futuros ministros do STF, incluindo a possibilidade de fixá-los em dez ou quinze anos.
Segundo apuração da CNN Brasil, interlocutores do governo avaliam que uma reunião urgente entre Lula e o presidente do STF, ministro Edson Fachin, seria fundamental para avaliar os próximos passos e buscar uma solução conciliadora para o impasse. Essa iniciativa visa também pressionar por uma resolução mais clara e efetiva sobre a crise que envolve o tribunal, especialmente no que diz respeito às investigações contra ministros e às ações judiciais relacionadas.
No centro das discussões estão a necessidade de abrir investigações contra o ministro Alexandre de Moraes, considerado por assessores como uma medida crucial para restaurar a credibilidade institucional, além do afastamento do ministro André Mendonça das relatorias dos processos referentes ao caso Master e ao INSS, além do encerramento do inquérito das fake news. A permanência de Mendonça na relatoria dessas ações é vista como um obstáculo à imparcialidade, o que alimenta a pressão por mudanças na condução dessas investigações.
A preocupação no Palácio do Planalto é crescente devido ao desempenho de Lula nas pesquisas de intenção de voto, que indicam uma vantagem do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, na disputa pelo segundo turno, conforme uma simulação divulgada nesta terça-feira, 8 de novembro. Assessores próximos do presidente consideram que a crise no STF se tornou o tema de maior peso na reta final da campanha, superando questões econômicas, de segurança pública ou de soberania nacional.
Diante desse cenário, há quem defenda uma postura mais enérgica, incluindo o envio de mensagens discretas a Fachin, para sinalizar a necessidade de uma solução institucional. Ainda assim, alguns dentro do governo avaliam que a convocação do Conselho da República, embora uma medida possível, poderia gerar mais atenção negativa e prejudicar a campanha de reeleição de Lula.
Outra ação que o governo planeja é recorrer à Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar a decisão de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). A argumentação é de que cabe ao presidente da República a nomeação do chefe da PF, e a medida estaria violando sua competência privativa. Lula também deve solicitar uma reunião com Fachin para tratar do tema, reforçando a tentativa de diálogo e de uma resposta coordenada às crises institucionais.
Essas estratégias refletem a tentativa do governo de estabilizar a situação política e de fortalecer sua posição diante do cenário eleitoral, ao mesmo tempo em que enfrentam a complexidade de uma crise que envolve o Supremo Tribunal Federal e suas interpretações sobre o papel do executivo e do judiciário.








